Segunda semana do mês será de mais frio
Em análise do clima, estudo revela as perdas do agro e dados sobre recuperação do solo
As previsões meteorológicas dos últimos dias, de muito frio e chuva, se confirmaram por todo o Estado. Na região da área de abrangência do jornal O Alto Uruguai, a temperatura começou a cair já na tarde de sexta-feira, 5, e com chuva na noite, o frio foi se intensificando. No sábado, 6, e no domingo, 7, as mínimas não passaram dos 11ºC, com chuva nos dias, acumulando, em alguns municípios, mais de 90 milímetros (mm).
E como já havia sido anunciado, essa segunda semana do mês de julho ainda será de frio intenso em toda a região. Ainda, pode haver episódios de chuvas esparsas e garoa, principalmente, nesta terça-feira, 9, e quinta-feira, 11. De acordo com a Metsul, além da possível instabilidade, as mínimas devem ficar na casa dos 7ºC, e as máximas não ultrapassam os 12ºC, pelo menos até a sexta-feira, 12.
Já para o sábado, 13, e no domingo, 14, o tempo deve se manter firme, com sol, mas com bastante frio, com as máximas ficando na casa dos 18ºC, e as mínimas entre 6ºC e 5ºC.
Clima e as perdas no agronegócio
De acordo com um estudo da Faculdade de Agronomia da UFRGS, divulgado na última semana, o Estado acumula perdas de pelo menos R$ 25,5 bilhões na agropecuária devido às enchentes de maio deste ano. Esse valor representa 28,5% do valor bruto da produção agropecuária gaúcha para o ciclo 2023/24, estimado em R$ 89,5 bilhões por instituições como IBGE, Embrapa, Emater/RS-Ascar e Irga.
As perdas incluem R$ 19,4 bilhões em produtos agrícolas não colhidos, não pastejados ou com perda de qualidade, e mais de R$ 6 bilhões devido à devastação do solo e eliminação de nutrientes. Esse montante não considera perdas em produtos como leite, aves, ovos, suínos, ovinos, madeiras, erva-mate, além de outras áreas da zootecnia e engenharia florestal.
No período das enchentes, a região Noroeste teve precipitações entre 550 e 900 milímetros. Com uma área total de 6,46 milhões de hectares e áreas de cultivo de 5,67 milhões de hectares, a perda de solo foi de 66,9 milhões de toneladas, resultando em um prejuízo de R$ 2,12 bilhões. Já as culturas mais afetadas foram as de soja e milho.
Oito mil anos para recuperar fertilidade dos solos
Ainda de acordo com o estudo, a devastação da superfície natural é definida como o dano mais grave à atividade rural decorrente da enchente de maio. Nos cálculos, a perda de produtos chegou a um valor de, pelo menos, R$ 19,4 bilhões. Em relação ao estrago provocado na terra, o prejuízo é estimado em mais de R$ 6 bilhões. A diferença matemática tem uma contrapartida: o solo é um recurso natural não renovável.
– Os nutrientes podem ser repostos com maior facilidade, mas o solo precisa de um tempo entre 300 e 400 anos para recompor cada centímetro perdido – explicam os professores Renato Levien, Michael Mazurana e Pedro Selbach
Sobre o que se fazer, os professores sugerem que se incluam a revisão do uso do solo, com envolvimento das instituições de ensino e de pesquisa para estimular o emprego de conceitos existentes há muito tempo. “Temos de rever o uso do solo. O uso racional é dentro do sistema de plantio direto. Esse sistema é muito mais do que a máquina, ou a semeadora, entrando para fazer o serviço. Isso é apenas uma parte. Vamos precisar avaliar a implantação de contenção de escorrimento de água, por meio de processos mecânicos. Entram aí os ditos terraços com correto dimensionamento. Além disso, a questão do não revolvimento, da resteva, do aumento de carbono no solo, que é extremamente importante. Temos de incentivar que se trabalhe nisso. Estamos falando nisso há, pelo menos, 50 anos. Mas o imediatismo e o dinheiro têm falado mais alto”, explica Mazurana.
Fonte: Jornal O Alto Uruguai