Edição Digital Quinta, 23/07/2026 Ler agora
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Clima

Relatório confirma que 2023 foi o mais quente dos últimos 100 mil anos

E o 2024 poderá ser ainda mais quente, alertam os especialistas

Relatório confirma que 2023 foi o mais quente dos últimos 100 mil anos

O observatório climático Copernicus, da União Europeia, confirmou, nesta semana, que 2023 foi o ano mais quente já registrado e o de mais alta temperatura no planeta em 100 mil anos (desde 1850), impulsionado pelas mudanças climáticas causadas pelos humanos e pelo fenômeno natural El Niño. As temperaturas da superfície do mar também superaram as máximas anteriores.

A explicação para a comparação com os 100 mil anos está na paleoclimatologia – o estudo das variações climáticas ao longo da história da Terra. São usados métodos que permitem estimar a temperatura de determinada época com a simulação do comportamento da atmosfera para climas passados. Segundo o relatório do Copernicus, as concentrações de gases de efeito estufa, como dióxido de carbono e metano, têm aumentado nos últimos anos e alcançaram níveis alarmantes em 2023. 

– O 2023 foi um ano excepcional, com recordes climáticos caindo como dominós. Não apenas foi o ano mais quente registrado, como é o primeiro ano com dias 1°C mais quentes do que a era pré-industrial. As temperaturas em 2023 provavelmente foram as mais altas ao menos nos últimos 100 mil anos. Todos os recordes de calor foram quebrados – destaca Samantha Burgess, vice-diretora do Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus da União Europeia, em entrevista ao G1.

Também em 2023, o gelo da Antártica atingiu um nível "assustador", com o gelo do Ártico abaixo da média. Os glaciares no oeste da América do Norte e nos Alpes Europeus sofreram uma estação de derretimento extremo, contribuindo para a subida do nível do mar. A superfície do mar mundial atingiu a temperatura mais alta registada no meio de múltiplas ondas de calor marinhas, incluindo o Atlântico Norte. A superfície oceânica do mundo tem estado em uma série ininterrupta de dias recordes desde 4 de maio. “São mais do que apenas estatísticas”, afirma Petteri Taalas, secretário-geral da Organização Meteorológica Mundial entre 2016 e 2023, lembrando que as condições climáticas extremas estão destruindo vidas e meios de subsistência diariamente.

Um alerta para 2024

O ano de 2024 poderá ser mais quente do que 2023 – já que parte do calor recorde da superfície do oceano escapa para a atmosfera – embora o comportamento imprevisível do atual El Niño signifique que é difícil saber ao certo. Isto levanta a possibilidade de que 2024 possa até registrar pela primeira vez uma temperatura acima do aquecimento de 1,5ºC, de acordo com o Met Office.

As ações humanas estão por trás desta tendência de aquecimento global, embora fatores naturais, como o El Niño, possam aumentar ou reduzir as temperaturas durante anos individuais. As temperaturas registadas em 2023 vão muito além de causas simplesmente naturais.

Acordo na COP 28

No mês de dezembro do ano passado, o acordo final da COP 28, a 28ª conferência do clima da Organização das Nações Unidas (ONU), foi considerado um avanço ao prever a redução gradual do uso de combustíveis fósseis (petróleo, carvão e gás natural) para diminuir a emissão de gases de efeito estufa. No entanto, o texto não especifica como será feita essa transição energética nem quais recursos financeiros serão utilizados, conforme divulgado pelo G1. O acordo não fala em eliminar totalmente os combustíveis fósseis nem tampouco estabelece meta ou ano para que isso aconteça.

O documento reconhece a necessidade de reduções profundas, rápidas e sustentadas da emissão de carbono caso a humanidade queira limitar o aumento da temperatura global em 1,5ºC.

Fonte: Jornal O Alto Uruguai