Edição Digital Quarta, 08/07/2026 Ler agora
4302 - Quarta
Projeto P&D Clima

Plataforma da UFSM-PM reúne dados sobre mudanças climáticas e auxilia planejamento no RS

Projeto P&D Clima organiza informações ambientais, econômicas e demográficas das 28 regiões dos Coredes para apoiar gestores públicos e pesquisadores

Os eventos climáticos extremos registrados no Rio Grande do Sul nos últimos anos reforçaram a necessidade de ferramentas voltadas ao planejamento e à gestão de riscos. Com esse objetivo, a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM-PM), , desenvolveu o projeto P&D Clima, uma plataforma gratuita que reúne dados sobre características ambientais, econômicas e demográficas do Estado.

O coordenador do projeto, professor Nelson Guilherme Machado Pinto, explicou em entrevista ao Jornal O Alto Uruguai na tarde desta quarta-feira, 8, que a ferramenta busca facilitar o acesso às informações existentes e ampliar a compreensão da população e dos gestores sobre os impactos das mudanças climáticas.

Plataforma reúne informações de diferentes bases

Segundo Nelson, o projeto não cria novos dados meteorológicos, mas organiza informações já disponíveis em diferentes sistemas.

“A ideia da plataforma é basicamente compilar informações que já existem em outras bases e trazer para o mesmo ambiente. Nesse momento, não temos dados primários criados, são dados que já existem e que estamos organizando”, explicou.

Um dos diferenciais da ferramenta é a organização das informações conforme as 28 regiões dos Conselhos Regionais de Desenvolvimento (Coredes) do Rio Grande do Sul.

“A questão climática precisa ser abordada a nível regional. Um município sozinho não vai conseguir resolver esse problema. É um aspecto regional que precisa ser trabalhado”, afirmou.

Objetivo é ampliar conhecimento sobre riscos

O professor destaca que a plataforma tem caráter informativo e educativo, permitindo que gestores e cidadãos tenham acesso a dados para compreender os desafios climáticos.

“A plataforma tem um caráter muito mais de dados históricos do que preventivo. Ela permite ter uma noção, um entendimento e uma educação sobre situações de enfrentamento a desastres”, disse.

Segundo ele, uma das questões centrais do projeto é estimular a população a compreender os riscos existentes nos locais onde vive.

“Todo cidadão deveria saber se mora ou não em uma região de risco. Essa é uma reflexão que precisamos fazer”, afirmou.

Ferramenta pode auxiliar municípios

A plataforma pode ser utilizada por prefeituras, órgãos públicos, pesquisadores e demais interessados em informações relacionadas às mudanças climáticas.

Nelson explica que os dados podem contribuir para planos diretores, planejamentos estratégicos e ações de prevenção.

“A ideia é que não exista mais a desculpa de que não se sabe onde essas informações estão disponíveis. A plataforma pode ser acessada pelo celular ou computador, de forma gratuita”, destacou.

Segundo o pesquisador, o objetivo é fortalecer uma cultura de prevenção, evitando que as ações sejam tomadas apenas após os desastres.

“A ideia é que a gente tenha um planejamento de prevenção e não uma medida de reconstrução depois que o estrago estiver feito”, afirmou.

Projeto integra pesquisa e políticas públicas

O P&D Clima recebe apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (FAPERGS) e faz parte de uma iniciativa voltada à construção de estratégias de governança ambiental.

Até o fim do ano, a equipe pretende ampliar os dados disponíveis e apresentar recomendações aos gestores públicos.

“Espero que aquilo que estamos construindo seja passado adiante para os tomadores de decisão, para o Legislativo pensar em leis e para o Executivo executar planos”, afirmou.

RS precisa avançar na adaptação climática

Ao avaliar a preparação do Estado após as enchentes de 2023 e 2024, Nelson afirma que houve avanços, mas ainda existem desafios.

“Muita coisa foi feita, mas tudo que poderia e deveria ser feito ainda não foi concluído. Se chover no mesmo nível e combinar os mesmos fatores de 2024, podemos ter estragos iguais ou piores”, alertou.

Para o professor, a adaptação às mudanças climáticas depende também da participação da sociedade.

“Cada cidadão gaúcho tem esse compromisso com o enfrentamento das mudanças climáticas. Precisamos olhar também para o nosso papel enquanto cidadãos”, concluiu.

Acesse o P&D Clima

Fonte: Jornal o Alto Uruguai