Edição Digital Quarta, 22/07/2026 Ler agora
4314 - Quarta
Frederico Westphalen

Pint of Science promove debates sobre IA, superbactérias e nanotecnologia

Evento promovido pela UFSM/FW reuniu comunidade em três noites de discussões científicas e marcou a estreia do festival internacional no município

(Crédito: UFSM/FW
(Crédito: UFSM/FW
Resumo
  • Entre os dias 18 e 20 de maio, Frederico Westphalen recebeu pela primeira vez o Pint of Science, festival internacional de divulgação científica realizado simultaneamente em 213 cidades brasileiras.
  • Inteligência artificial, fake news, superbactérias, microplásticos e nanotecnologia estiveram entre os temas debatidos por pesquisadores da UFSM/FW em três noites de intensa participação do público.
  • Mais de cem perguntas foram feitas pela comunidade durante o evento, que lotou os espaços e aproximou ciência e sociedade em um ambiente informal e acessível.
  • Das ameaças de novas pandemias ao uso de drones na agricultura, o festival trouxe pesquisas e descobertas que já impactam o presente e podem transformar o futuro.

Frederico Westphalen entrou oficialmente na rota mundial da divulgação científica com a realização da primeira edição local do Pint of Science. Promovido pela UFSM/FW, entre a segunda-feira, 18, e a quarta-feira, 20, o evento reuniu pesquisadores e comunidade em três noites de debates sobre temas que vão da inteligência artificial às superbactérias, passando por nanotecnologia, fake news, agricultura e microplásticos.

A programação integrou simultaneamente o festival realizado em 213 cidades brasileiras e em diversos países. Em Frederico Westphalen, a participação do público superou as expectativas da organização, com lotação dos espaços e intensa interação da comunidade. Mais de cem perguntas foram feitas ao longo das atividades, aproximando pesquisadores e população em um ambiente informal de troca de conhecimento.

A abertura do evento trouxe discussões sobre traduções feitas por inteligência artificial e o uso de óleos essenciais na proteção de plantas. O professor Cristiano Bertolini apresentou exemplos envolvendo traduções realizadas na China e alertou para limitações da IA em contextos culturais específicos. Segundo ele, falhas de interpretação podem gerar consequências graves em áreas como saúde e direito.

Na sequência, a professora Denise Schmidt destacou o potencial dos óleos essenciais no manejo fitossanitário. A pesquisadora explicou que compostos produzidos naturalmente pelas plantas possuem propriedades antifúngicas, antibacterianas e repelentes, além de apresentarem perspectivas de aplicação na proteção vegetal e no desenvolvimento de novos mercados agrícolas.

Segundo dia

O segundo dia foi marcado por debates sobre desinformação, tecnologias aplicadas ao campo e riscos de novas pandemias. A professora Mirian Redin de Quadros abordou o impacto das fake news na sociedade e explicou como fatores emocionais e o senso de pertencimento contribuem para a disseminação de conteúdos falsos. Ao final da apresentação, orientou o público sobre formas de identificar informações enganosas.

O uso de drones e inteligência artificial na agricultura foi tema da apresentação de Emanuel Araújo da Silva. O pesquisador mostrou como tecnologias de mapeamento permitem monitorar plantações com maior precisão. Em um estudo realizado em olivais, os dados gerados auxiliaram decisões relacionadas à poda, irrigação e adubação das plantas.

Ainda na segunda noite, a pesquisadora Letícia Trevisan Gressler chamou atenção para o avanço das bactérias resistentes a antibióticos. A partir da recente descoberta de uma superbactéria resistente a 14 antimicrobianos em águas de Porto Alegre, ela discutiu os riscos globais da resistência bacteriana e apresentou estimativas da Organização Mundial da Saúde que apontam para até 10 milhões de mortes anuais até 2050 relacionadas ao problema. A pesquisadora defendeu a adoção do conceito One Health, que integra saúde humana, animal e ambiental.

Encerramento

Na última noite, jovens pesquisadoras levaram ao público debates sobre microplásticos, jornalismo e nanotecnologia. Luma Dal’Astra Zanella apresentou pesquisas sobre a presença de microplásticos em diferentes regiões do planeta, incluindo o Monte Everest e a Fossa das Marianas. O estudo desenvolvido pela pesquisadora analisa como esses materiais interagem com poluentes e se dispersam no ambiente.

A estudante de Jornalismo Júlia Negrello Decarli refletiu sobre o papel dos profissionais da comunicação em coberturas socioambientais. A pesquisa apresentada analisou a atuação de jornalistas durante a tragédia climática registrada no Rio Grande do Sul em 2024 e discutiu como trajetórias pessoais influenciam a construção das narrativas jornalísticas.

Encerrando a programação, Suzan Kamine Kunz apresentou estudos sobre máquinas moleculares e aplicações futuras da nanotecnologia na medicina e em materiais inteligentes. A pesquisadora integra o Núcleo de Química de Heterociclos (NUQUIMHE), um dos poucos grupos da América Latina que trabalham com a tecnologia.

Fonte: Jornal O Alto Uruguai, com informações da Ascom UFSM/FW