Márcio Ebert abre série do Jogada Ensaiada com técnicos da Divisão de Acesso
Treinador do Brasil de Farroupilha relembra trajetória ligada a Ametista do Sul, analisa os desafios da competição de 2026
A corrida pela Divisão de Acesso de 2026 já começou fora das quatro linhas. Entre planejamento, montagem de elenco e definição de identidade, os clubes ajustam as peças para uma competição que promete elevar a temperatura do futebol gaúcho. No primeiro episódio da série de entrevistas do programa Jogada Ensaiada, o técnico Márcio Ebert abriu o jogo sobre carreira, formação de atletas e os desafios do comando do Brasil de Farroupilha.
Com raízes ligadas à região, especialmente a Ametista do Sul, Ebert relembrou o início da trajetória no futebol ainda adolescente, quando deixou o município para atuar nas categorias de base do Clube Esportivo Bento Gonçalves. “Eu sou um dos muitos meninos que saíram de casa aos 16, 17 anos para tentar a vida no futebol”, afirmou.
Entre o interior gaúcho e a Serra, o treinador construiu uma carreira que transitou pelas categorias de base, pelo futebol profissional e também pela formação acadêmica. Graduado em Educação Física e Administração, além de possuir licenças da CBF, ele define o estudo como peça indispensável dentro do esporte.
“O futebol é uma carreira breve e instável. O atleta precisa estar sempre estudando e preparado para o depois”, destacou.
Da base ao profissional
Antes de retornar ao futebol como treinador, Ebert atuou no ramo de seguros. A reaproximação com os gramados ocorreu em 2015, quando recebeu convite para trabalhar nas categorias de base do Esportivo. Desde então, passou por diferentes funções até assumir trabalhos mais amplos no cenário gaúcho.
No Monsoon FC, viveu uma das experiências mais marcantes da carreira. Em 2023, comandou a equipe profissional e chegou perto do acesso à elite estadual. “Foi por detalhe. Sofremos um gol em Bagé que acabou definindo a semifinal”, recordou.
Mesmo sem a classificação, a campanha abriu portas. Depois da passagem pelo futebol catarinense, Ebert assumiu a categoria Sub-17 do Esporte Clube Juventude, disputando competições estaduais e nacionais.
Segundo ele, trabalhar na base exige mais do que orientação técnica. “O treinador da base precisa ser um pouco professor, gestor e, em alguns momentos, até uma figura paterna”, comentou.
O projeto do Brasil de Farroupilha
No início deste ano, Ebert assumiu o futebol profissional do Brasil de Farroupilha. O trabalho começou no Sub-20, mas já está conectado à formação do elenco que disputará a Divisão de Acesso.
A proposta do clube passa pelo aproveitamento de jovens atletas e por uma estrutura de baixo custo. “A ideia é investir bem os poucos recursos que temos e montar uma equipe competitiva”, explicou.
O treinador reconheceu que o cenário da competição será desafiador. “Vai ser uma Divisão de Acesso muito forte. Existem equipes com folhas salariais muito altas, então o nosso principal objetivo é permanecer na competição”, afirmou.
Futebol, gestão e identidade
Ao longo da entrevista, Ebert também falou sobre liderança e construção de grupo no futebol profissional. Para ele, administrar diferentes perfis dentro do elenco se tornou parte central da função de treinador.
“No profissional, a gestão do grupo é tão importante quanto a parte tática”, avaliou.
Questionado sobre referências, o treinador afirmou buscar ideias em diferentes escolas do futebol mundial. Citou características de treinadores como Pep Guardiola e José Mourinho, além de destacar a influência histórica da escola brasileira.
“A gente procura adaptar ideias à própria identidade. O futebol é troca constante”, disse.
Entre memórias da região, experiências no futebol gaúcho e os desafios do segundo semestre, Márcio Ebert entra na Divisão de Acesso tentando transformar orçamento reduzido em competitividade. Em um campeonato onde cada ponto pesa como chumbo, o treinador aposta na formação, na gestão e na continuidade para manter o Brasil de Farroupilha na roda do acesso.
Fonte: Jornal o Alto Uruguai