Mãos solidárias, corações unidos: a missão dos voluntários
Além das doações, mobilização de pessoas de FW e região tem ajudado vítimas diretamente nos locais inundados
“Aquilo é um cenário de guerra, parece que foi jogado uma bomba que destruiu tudo o que havia lá”. Essa é a descrição que muitas pessoas, que estão atuando como voluntários, usam para tentar dar uma ideia do panorama que toma conta dos municípios que foram alagados e destruídos pelas enchentes de maio que atingiram o Rio Grande do Sul, especialmente, a região dos Vales, a grande Porto Alegre, a Quarta Colônia e o Sul do Estado. De Frederico Westphalen e outros municípios próximos, são muitos que estão doando seu tempo e dedicação para essa missão, não só auxiliando com doações, como também indo até esses locais.
Integrante da Brigada Militar, o soldado Vanderlei Ferrari, juntamente com dois colegas do Batalhão Fazendário de Iraí, Douglas Shosceler e Rafael Bortoluzzi, se deslocaram a Muçum, no dia 7 de maio para auxiliar como voluntários. No primeiro dia, o grupo auxiliou no controle do trânsito, já que o único acesso disponível à cidade era por uma estrada de chão, ligando os municípios de Vespasiano Correa a Muçum. “Já a partir do segundo dia, auxiliamos os moradores locais na retirada da lama e móveis do interior das residências”, conta Ferrari.
O policial militar diz que a sensação de ajudar sempre é gratificante, mas, ao mesmo tempo, muito triste, porque as pessoas estão necessitando de qualquer tipo de ajuda. “Eles perderam tudo, não têm mais nada mesmo. Então, o auxilio não é só físico, vem até de uma palavra de carinho para um senhor de idade, por exemplo, trazendo um pouco de esperança. Só que nessas áreas, eles sabem que vai ocorrer novamente se reconstruir no mesmo lugar. Uma dessas pessoas nos contou que, de 2020 para cá, esta é a quinta enchente que atinge a casa”, compartilha Ferrari.
A ideia agora é retornar a Muçum, para auxiliar na reconstrução de uma escola, que foi totalmente destruída. “Pretendemos sair daqui com um objetivo porque lá, é muita desinformação, não se sabe direito por onde começar, já que praticamente todos foram afetados e os que não foram, estão sobrecarregados. Por isso que toda a ajuda é bem-vinda”, conclui o voluntário.
Conexão FW – Arroio do Meio
De Frederico Westphalen, o empresário Roberto Felin Junior, o Betinho, unido com um grupo de amigos, também se mobilizou. No dia 12, o time organizou uma ação para arrecadar doações, que foram levadas de caminhão para Arroio do Meio. “Eu acabei ficando até a quarta-feira, 15, e isso acaba despertando sentimentos contraditórios, porque ao voltar, me senti desconfortável com o conforto de casa, pois a gente sabe que ficou algo para trás. Tem muita coisa a ser feita nesses locais onde ocorreram os alagamentos, em especial neste momento, depois do acolhimento das pessoas, do recebimento das doações que não podem parar, a segunda etapa é a da limpeza, para que aqueles que ainda têm o imóvel, possam voltar”, conta.
O grupo se organizou, com os equipamentos necessários, que vão desde lava-jato, para ajudar os moradores de Arroio do Meio no trabalho de limpeza da cidade. “É uma sensação bem difícil de descrever. As pessoas perderam tudo. Há regiões, bairros, que a água levou tudo, não sobrou nem as edificações. O maior receio é que com o passar do tempo, as pessoas diminuam ou parem com as doações, e isso não pode acontecer. Aqui em Arroio do Meio, a grande necessidade, nesse momento, é de voluntários para fazer a limpeza das casas, para que as pessoas tenham uma possibilidade de recomeçar”, conclama Betinho.
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Fonte: Jornal O Alto Uruguai