Julho terá "verão fora de época"
Veranico é motivado por um bloqueio atmosférico
Os últimos dias não foram nada agradáveis para aqueles que são “inimigos” do inverno, onde as mínimas ficaram na casa dos 3ºC pelas manhãs, na maioria das cidades. Mas, segundo os meteorologistas, o período de muito frio das primeiras duas semanas de julho chegou ao fim nesta semana, e a segunda metade do mês será marcada por um veranico – uma espécie de "verão fora de época", marcado por um período de altas temperaturas no outono ou no inverno.
De acordo com a Climatempo, a temperatura pode ficar até 10°C acima da média para o período, trazendo a sensação de calor de volta ao território gaúcho. A elevação dos termômetros deve ocorrer de forma gradual, com um período mais quente neste fim de semana, onde as máximas podem chegar até os 23ºC. Ainda, segundo o meteorologista Guilherme Borges, os próximos dias também devem ser de tempo seco, com predomínio de sol na maior parte do dia e elevação gradativa da temperatura.
– De 19 a 26 de julho, teremos um cenário de temperatura acima da normalidade no Rio Grande do Sul. O Estado deve passar por um período de veranico, dois modelos meteorológicos bem convergentes indicam isso. O tempo ficará firme e quente – frisa Marcelo Schneider, meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
O retorno desse calor, conforme explica Borges, é motivado por um bloqueio atmosférico na região central do Brasil, que envolve áreas de alta pressão, inibindo a formação de nuvens de chuva, retirando a umidade, secando o tempo e elevando a temperatura.
Já a partir do dia 24 de julho, o cenário muda, de acordo com os meteorologistas, com o retorno da chuva, que deve espantar um pouco o calor. A temperatura permanece de 2°C a 4°C acima da média. No dia 26, os termômetros devem voltar à normalidade.
La Niña para a safra 2024/2025
Conforme já vinha sendo anunciado pelos centros de meteorologia, o fenômeno climático La Niña está confirmado para a safra 2024/25. Com volumes de chuvas diferentes de períodos de El Niño, as culturas de grãos devem ter níveis reduzidos de umidade. Os produtores do Rio Grande do Sul também devem ficar em alerta.
Segundo especialistas, as culturas mais atingidas devem ser as de soja e milho, que sofrem com a falta de água no plantio, e a de trigo, sujeita a geadas durante a florada. A demora das chuvas pode afetar ainda o cultivo de citrus e cana-de-açúcar.
O La Niña é caracterizado pelo resfriamento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico, e essa queda da temperatura oceânica traz impactos significativos para os padrões climáticos globais, pois o resfriamento do Pacífico é transferido de forma gradual para a atmosfera e muda a circulação e a temperatura, aumentando o risco de ondas de frio mais intensas e tardias. “Os produtores precisam ter cautela para iniciar a semeadura e devem acompanhar as previsões para iniciar o plantio quando houver um indicativo de chuvas suficientes”, afirma Nadiara Pereira, meteorologista do setor de agronegócio da Climatempo.
O último relatório da National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), segundo divulgado pelo portal UOL, aponta que há 69% de chance de ocorrência do La Niña com temperaturas bastante frias entre agosto e outubro de 2024, ficando mais forte até dezembro.
Fonte: Jornal O Alto Uruguai