Jovem em tratamento paliativo se casa no Hospital de Clínicas
União de Katrine e Mateus foi oficializada na sexta-feira, 21
Juntos há dois anos, a técnica de Enfermagem, Katrine Hanauer da Silva, e o motorista Mateus Henrique Soares dos Santos, ambos com 24 anos, oficializaram a união na sexta-feira, 21. A cerimônia religiosa reuniu familiares e amigos. Tudo seria como em outros casamentos, não fosse o local indicar a condição de saúde da noiva: a capela do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA). Katrine está internada há um mês, sem indicação de alta devido a um câncer. Por isso, as equipes de Psicologia, Enfermagem, Fisioterapia, Nutrição, Serviço Social, Comunicação, Higienização, Administrativo e Cuidados Paliativos do HCPA organizaram a cerimônia, que teve ainda o batizado da filha do casal, Ísis Valentina, de um ano e cinco meses, e da afilhada deles, Sara.
Katrine entrou na capela ao som de um saxofonista e uma violinista voluntários. Foi levada pelo pai e o avô, em uma cadeira de rodas decorada por uma enfermeira com rosas e tecido branco. No pulso, além do acesso para os remédios, uma pulseirinha de coração com a palavra Fé. Com voz embargada, o padre perguntou:
Ao final, o noivo pediu para falar. Agradeceu o apoio e o empenho de todos, especialmente os médicos Mariana Vieira e Henrique Borin, que foram padrinhos, e emocionado disse: “Eu vou te amar para sempre”.
Na saída, Katrine atirou beijos para os que estavam dentro da pequena capela. Do lado de fora, muita gente bateu palmas para a saída dos noivos. “Estou muito feliz e realizada. Foi tudo perfeito”, disse ela.
A festa foi organizada no saguão do segundo andar do hospital. A música foi tocada por uma banda formada por estudantes de Medicina. Enfermeiros, técnicos e médicos participaram do brinde e fizeram fotos com os noivos. Doces, salgadinhos e decoração foram doados.
Os cuidados paliativos são administrados quando não há mais um tratamento que modifique a doença. Eles são adequados às necessidades de cada paciente. “Quando eu olho para a Katrine eu não penso em morte. Vejo vida e esperança”, afirma a médica residente da equipe de Cuidados Paliativos do HCPA, Mariana Vieira. “Ver o sorriso deles hoje faz sentido”, finalizou.
Fonte: Jornal O Alto Uruguai, com informações do Hospital das Clínicas