Edição Digital Segunda, 20/07/2026 Ler agora
4312 - Segunda
Mercado de trabalho

Especialistas apontam impactos econômicos e jurídicos da proposta de fim da jornada 6x1

Debate promovido pela FEDERASUL discutiu os efeitos da proposta que prevê redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, com adoção da escala 5x2 sem redução salarial

(Foto: FEDERASUL / Divulgação)
(Foto: FEDERASUL / Divulgação)

O primeiro Meeting Jurídico da FEDERASUL de 2026 foi realizado na sexta-feira, 15, com debate sobre os impactos econômicos, políticos e jurídicos da proposta de alteração da jornada de trabalho no país. Participaram do encontro o desembargador Francisco Rossal, o deputado federal Lucas Redecker e o economista Oscar Frank.

A proposta em discussão no Congresso Nacional prevê o fim da escala 6x1 e a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, garantindo dois dias de descanso por semana, sem redução salarial.

Durante o evento, Oscar Frank afirmou que as mudanças podem provocar impactos na economia gaúcha, com redução de postos de trabalho, aumento dos custos para empresas e reflexos no Produto Interno Bruto (PIB) do Rio Grande do Sul. Segundo ele, setores com maior formalização podem ser mais afetados pelas alterações propostas.

O economista também avaliou que o aumento dos custos trabalhistas poderá resultar em reajustes de preços, crescimento da informalidade e maior rotatividade no mercado de trabalho.

O deputado Lucas Redecker informou que estão em discussão, na Câmara dos Deputados, propostas de emendas para flexibilizar a implementação das mudanças. Entre as possibilidades analisadas estão a redução gradual da carga horária a partir de 2027 e medidas de compensação, como desoneração da folha de pagamento.

Redecker afirmou ainda que o tema deverá ter forte repercussão política ao longo da tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC), especialmente em ano eleitoral.

O desembargador Francisco Rossal destacou que mudanças nas relações de trabalho poderão exigir revisão de contratos, negociações coletivas e reavaliação de terceirizações e licitações. Segundo ele, a proposta também pode aumentar a judicialização de conflitos trabalhistas.

A mediação do debate foi realizada por Gustavo Casarin, integrante da Comissão Trabalhista da Divisão Jurídica da FEDERASUL.

Fonte: Jornal o Alto Uruguai, com informações FEDERASUL