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GERAL

Emater aponta aumento da escala e da produtividade na bovinocultura de leite em Frederico Westphalen

Valor recebido pelos produtores, corrigido pelo IPCA, passou de R$ 19 milhões para R$ 58,3 milhões entre 2015 e 2025, alta de 206,8%

A Emater/RS-Ascar de Frederico Westphalen apresentou, nesta segunda-feira (17), dados sobre a evolução da bovinocultura de leite no município entre 2015 e 2025. O levantamento mostra uma mudança no perfil da atividade, marcada pela redução no número de propriedades, aumento da escala dos estabelecimentos, crescimento da produtividade e avanço da produção de leite inspecionado.

Os dados foram apresentados pelo engenheiro agrônomo Jeferson Vidal Figueiredo, extensionista da Emater/RS-Ascar. O levantamento reúne informações do escritório municipal da Emater, da Secretaria da Fazenda e da Inspetoria Veterinária de Frederico Westphalen.

Menos propriedades, maior escala

Em 2015, Frederico Westphalen tinha 376 propriedades que entregavam leite inspecionado. Em 2025, eram 162. A redução foi de 214 propriedades, ou 57%.

Apesar da diminuição, o número estimado de vacas produtivas passou de 4.134 para 4.337 no período. O aumento foi de 203 animais, equivalente a 4,9%.

A principal mudança ocorreu na escala média dos estabelecimentos. Em 2015, eram 11 vacas por propriedade. Em 2025, a média chegou a 26,8 animais, crescimento de aproximadamente 144%.

“Aumentamos 143% o número médio de vacas por propriedade. É um número expressivo e mostra como está ocorrendo a concentração das propriedades e como elas estão aumentando o rebanho para conseguir se manter na atividade e aumentar a escala.”

Segundo Jeferson, o aumento da escala também está relacionado aos custos de produção.

“Com os altos custos de produção e a margem mais curta, o produtor está sendo obrigado a aumentar a escala. Ele precisa aumentar o rebanho para conseguir manter a margem de lucro. Essa é uma realidade de Frederico Westphalen, do Rio Grande do Sul e também do Brasil.”

Produção cresce 85% em dez anos

A produção de leite inspecionado apresentou crescimento mesmo com a redução no número de propriedades. Em 2015, foram registrados 12,5 milhões de litros. Em 2025, o volume chegou a 23,1 milhões de litros.

O aumento foi de 10,6 milhões de litros, equivalente a 84,8%.

Na comparação entre 2024 e 2025, a produção passou de 20,6 milhões para 23,1 milhões de litros, crescimento de 2,5 milhões de litros, ou 12,1%.

O resultado de 2025 representa o maior volume registrado na série apresentada pela Emater.

“Nós estamos construindo um novo capítulo para o leite de Frederico Westphalen. Foi um trabalho coletivo, com muitos parceiros, e os resultados mostram que o produtor respondeu a esse processo.”

Produtividade aumenta 76%

A produtividade anual por vaca também apresentou crescimento. O indicador passou de 3.024 litros em 2015 para 5.326 litros em 2025, aumento de 76,1%.

Na produção diária, a média passou de 9,9 litros por vaca para 17,5 litros no mesmo período.

Entre 2024 e 2025, porém, houve uma pequena redução. A média anual caiu de 5.410 para 5.326 litros por vaca, queda de 1,6%. Na produção diária, passou de 17,7 para 17,5 litros, redução de 1,1%.

“Saímos de uma média de 9,9 litros por vaca por dia para 17,5 litros. Tivemos uma pequena redução em 2025, mas isso é um reflexo do cenário de preços mais baixos e do aumento dos custos de produção.”

Jeferson relaciona a redução de 2025 às decisões dos produtores diante do cenário de custos e preços.

“Em anos de crise, o produtor dá uma recuada. Ele reduz investimentos, porque precisa equilibrar as contas. Isso pode refletir em questões como adubação de pastagens, sementes, manejo, prevenção de doenças e outros investimentos.”

Produção se concentra em propriedades maiores

Os dados também mostram uma mudança na distribuição das propriedades conforme o volume diário produzido.

Em 2016, 56% das propriedades produziam entre 1 e 100 litros por dia. Em 2025, esse percentual caiu para 24%.

Na faixa acima de 501 litros diários, a participação das propriedades passou de 2% para 23% no mesmo período.

A concentração é ainda mais evidente quando analisada a participação de cada faixa no volume total produzido. Em 2016, as propriedades com produção superior a 501 litros por dia respondiam por 11% do leite produzido. Em 2025, passaram a representar 60%.

Já as propriedades de 1 a 100 litros por dia reduziram sua participação no volume total de 25% para 4%.

“Em 2016, tínhamos 56% das propriedades produzindo entre 1 e 100 litros por dia. Hoje, esse percentual caiu para cerca de 20%. Isso mostra claramente a mudança no perfil da atividade leiteira de Frederico Westphalen.”

Valor recebido chega a R$ 58,3 milhões

O valor recebido pelos produtores pela captação de leite inspecionado também cresceu no período. Os dados, corrigidos pelo IPCA, apontam aumento de R$ 19 milhões, em 2015, para R$ 58,3 milhões em 2025.

Na comparação entre 2024 e 2025, o valor passou de R$ 56,9 milhões para R$ 58,3 milhões. O crescimento foi de R$ 1,4 milhão, ou 2,5%.

Considerando toda a série apresentada pela Emater, o valor corrigido pelo IPCA apresentou crescimento de aproximadamente 207% entre 2015 e 2025.

Frederico contrasta com cenário estadual

Os dados municipais também foram comparados com os números do Brasil e do Rio Grande do Sul.

No Brasil, a produção de leite passou de 34,6 bilhões de litros em 2015 para 35,7 bilhões em 2024, crescimento de aproximadamente 3,2%.

No Rio Grande do Sul, o volume caiu de 4,6 bilhões para 4,02 bilhões de litros no mesmo período, redução de aproximadamente 12,6%.

Em Frederico Westphalen, a produção de leite inspecionado passou de 12,5 milhões para 23,1 milhões de litros entre 2015 e 2025, crescimento de 84,8%.

O resultado municipal ocorre em um cenário de redução do número de propriedades e aumento da concentração da produção em estabelecimentos de maior escala.

Pacto do Leite marcou início do processo

O processo de reorganização da atividade no município ganhou força em 2016, com a articulação entre diferentes segmentos da cadeia produtiva.

Em 10 de junho daquele ano, representantes da Emater/RS-Ascar, poder público, instituições financeiras, entidades ligadas ao setor e produtores participaram de um encontro que Jeferson define como o início de um novo momento para a atividade.

A iniciativa foi denominada Pacto do Leite de Frederico.

“O leite de Frederico já tem uma história de muitos anos. Em 2016, reunimos diferentes entidades e representantes da cadeia produtiva para pensar em um novo cenário. Aquele momento foi importante para que todos começassem a falar a mesma língua e trabalhar em conjunto.”

Segundo Jeferson, o trabalho conjunto contribuiu para a evolução técnica das propriedades.

“Apesar da redução no número de propriedades, quem permanece na atividade está aumentando a escala e melhorando a eficiência. O produtor está mais preparado tecnicamente e conta com o acompanhamento de diferentes entidades da cadeia produtiva.”

Meta é ultrapassar a 25 milhões de litros

Com 23,1 milhões de litros registrados em 2025, a Emater projeta que Frederico Westphalen possa alcançar 25 milhões de litros de leite inspecionado por ano até 2029.

A projeção considera a manutenção do processo de aumento da escala, produtividade e eficiência das propriedades que permanecem na atividade.

“Se continuarmos nesse ritmo, podemos ultrapasar os 25 milhões de litros de leite inspecionado em Frederico Westphalen até 2029.”

Fonte: Jornal o Alto Uruguai