Conheça a história de quem ajuda a manter os jovens no campo há mais de duas décadas
Á frente da Casa Familiar Rural desde 2004, Wagner Bohn alia educação, gestão e empreendedorismo para formar líderes no campo.
Resumo
- 🌱 Wagner Rogério Bohn lidera há mais de 20 anos a Casa Familiar Rural de Alpestre, formando jovens para a sucessão na agricultura familiar.
- 🎓 Sob sua coordenação, a instituição superou dificuldades, conquistou reconhecimento como escola de Ensino Médio e ampliou a oferta de cursos superiores em parceria com a URI/FW.
- 🚜 A formação vai além das técnicas agrícolas, priorizando liderança, gestão, empreendedorismo, inovação e valorização das raízes no campo.
- 👨🌾 No Dia do Colono e Motorista, Wagner destaca a importância dessas profissões e incentiva os jovens a acreditarem no potencial da agricultura familiar.
A sucessão rural é um dos maiores desafios enfrentados pela agricultura familiar. Em Alpestre, esse trabalho ganhou um importante aliado há mais de 20 anos. À frente da Casa Familiar Rural, Wagner Rogério Bohn transformou a formação de jovens agricultores em um projeto de vida. Mais do que ensinar técnicas de produção, ele ajuda filhos de agricultores a desenvolverem liderança, gestão, empreendedorismo e pertencimento ao meio rural, preparando-os para dar continuidade ao legado das famílias no campo.
Natural de Planalto, mas criado em Alpestre, Wagner é tecnólogo em Agrozootecnia pela URI de Frederico Westphalen, possui pós-graduação em Fruticultura e em Pedagogia da Alternância, além de MBA Executivo em Cooperativismo. Sua história com a Casa Familiar Rural começou em 2004, durante a graduação, quando buscava cumprir horas de estágio. Pouco tempo depois, assumiu a coordenação da instituição, iniciando uma trajetória marcada por desafios e conquistas.
Uma instituição que precisava recomeçar
Quando Wagner assumiu a direção, a Casa Familiar Rural vivia um momento delicado. A instituição oferecia apenas cursos de qualificação, ainda sem reconhecimento como escola de Ensino Médio, situação que só mudaria em 2012. A baixa procura, as dificuldades administrativas e a constante mudança de sede colocavam em risco a continuidade do projeto.
– A Casa Familiar Rural estava muito desacreditada e praticamente prestes a encerrar as atividades. O desafio foi recuperar a credibilidade da instituição, estruturar a metodologia da pedagogia da alternância e mostrar que era possível oferecer uma formação realmente diferenciada para os jovens do campo – relembra. Segundo ele, a transformação aconteceu de forma gradual, com muito estudo, capacitação e apoio de entidades ligadas ao movimento das Casas Familiares Rurais.
A educação que transforma famílias
Ao longo de mais de duas décadas, Wagner acompanhou centenas de jovens. Muitos chegaram inseguros e saíram preparados para assumir a gestão das propriedades, empreender ou seguir carreira na assistência técnica e no ensino superior. Para ele, a maior motivação está justamente em acompanhar essa transformação. "O que nos motiva é ver a evolução dos jovens e das famílias. Encontrar um ex-aluno alguns anos depois e ouvir que a Casa Familiar Rural transformou sua vida e deu um novo rumo à propriedade da família é a maior recompensa que podemos receber", afirma.
Hoje, além do Ensino Médio, a instituição oferece, em parceria com a URI/FW, os cursos superiores de Tecnologia em Agropecuária e Agronomia, todos desenvolvidos pela metodologia da pedagogia da alternância.
Muito além das técnicas agrícolas
Na visão de Wagner, formar um agricultor não significa apenas ensinar produção rural. Ele acredita que o jovem precisa compreender a história da propriedade, valorizar o trabalho das gerações anteriores, desenvolver capacidade de gestão e aprender a tomar decisões conscientes. "A tecnologia é indispensável, mas ela precisa caminhar junto com responsabilidade, conhecimento e gestão. O jovem precisa entender de onde veio, conhecer a história da propriedade e construir o futuro com inovação, sem perder as raízes", ressalta.
Outro diferencial destacado por ele é a convivência proporcionada pela Casa Familiar Rural. Durante o período de alternância, os estudantes compartilham experiências, aprendem a trabalhar em equipe, desenvolvem disciplina e fortalecem valores que levarão para toda a vida.
Permanecer no campo também é realizar sonhos
Wagner observa que a sucessão rural depende, sobretudo, de diálogo entre pais e filhos. A pedagogia da alternância busca aproximar gerações, estimulando o protagonismo dos jovens dentro das propriedades. "Permanecer no campo não significa abrir mão dos sonhos. Pelo contrário. Com conhecimento, inovação e gestão, é possível transformar a propriedade em um empreendimento competitivo, sustentável e capaz de oferecer qualidade de vida para toda a família", destaca.
Ele reforça que a agricultura familiar continua sendo essencial para a produção de alimentos e para o desenvolvimento regional, motivo pelo qual acredita que os jovens devem sentir orgulho de suas origens.
Valorização do colono e do motorista
Na semana em que se celebra o Dia do Colono e Motorista, Wagner faz questão de destacar a importância das duas profissões para toda a sociedade. Segundo ele, agricultores e motoristas são responsáveis por garantir que os alimentos produzidos no campo cheguem diariamente à mesa das famílias brasileiras.
– O Dia do Colono e Motorista deveria ser lembrado todos os dias. Só vamos compreender a verdadeira importância dessas profissões quando faltar alimento nas prateleiras ou quando ele não conseguir chegar ao consumidor. São duas categorias fundamentais para o desenvolvimento do país e que merecem muito mais reconhecimento – enfatiza.
Ao deixar uma mensagem aos jovens, Wagner resume aquilo que orienta sua missão desde 2004: acreditar no potencial do campo e das novas gerações. "Tenham orgulho das suas raízes. O campo oferece oportunidades extraordinárias para quem busca conhecimento, inovação e empreendedorismo. Vocês são protagonistas da transformação da agricultura e responsáveis por dar continuidade ao legado das suas famílias", finaliza.
Fonte: Jornal O Alto Uruguai