Cidades inteligentes: onde a região avança e onde ainda precisa evoluir
Estudo mostra que desenvolvimento vai muito além da tecnologia e depende de gestão, inovação, sustentabilidade e qualidade dos serviços públicos
O conceito de cidade inteligente está cada vez mais presente nas discussões sobre desenvolvimento regional. Mais do que investir em tecnologia, uma cidade inteligente é aquela que consegue utilizar informações, planejamento e gestão eficiente para melhorar a qualidade de vida da população, fortalecer a economia, preservar o meio ambiente e oferecer serviços públicos mais eficazes. Um estudo elaborado pelo professor da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), campus Frederico Westphalen, Lorimar Francisco Munaretto, mostra como os municípios da região da AMZOP estão posicionados dentro desse cenário.
Confira abaixo a coluna produzida pelo professor Lorimar Francisco Munaretto.
O Ranking Connected Smart Cities, tem por objetivo apresentar de forma holística e integrada das cidades caracterizadas como inteligentes, utilizando um conjunto de indicadores padronizados e reconhecidos internacionalmente.
A análise envolve 75 (setenta e cinco) indicadores, inseridos dentro dos seguintes eixos: Economia Finanças:10 indicadores, Educação: 8 indicadores, Energia: 3 indicadores,Governança: 4 indicadores,Habitação e Planejamento Urbano: 6 indicadores,Inovação e Empreendedorismo: 5 indicadores,Meio Ambiente e Mudanças Climáticas: 4 indicadores,Mobilidade Urbana: 3 indicadores, População, Condições Sociais: 6 indicadores,Resíduos Sólidos, Esgotos e Água: 10 indicadores,Saúde, Agricultura Local/Urbana e Segurança Alimentar: 10 indicadores,Segurança: 2 indicadores,Telecomunicações: 4 indicadores.
Os 75 indicadores utilizados para o ranqueamento, foram selecionados com base nas normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT – NBR’s, - Organização Internacional de Normalização -ISSO nºs. 37.120, 37.122, 37.123, 37.125, além de indicadores do Ranking das Cidades Sustentáveis – CSC e Selo Caixa de Gestão Sustentável. O potencial geral de nota das cidades inteligentes é de 100 pontos. No ano de 2025, foram utilizados para a confecção do Ranking, as métricas de 5570 cidade brasileiras.
Por meio do site, https://ranking.mysmartcity.scipopulis.com/ , é possível acessar a plataforma digital com os Rankings das cidades. Entre as cidades brasileiras, Vitória – ES, apresentou a maior nota com 61,27 pontos, entre as cidades de 100 a 500 mil habitantes, seguido de Florianópolis com 59,63 pontos entre as cidades com mais de 500 mil habitantes.
No estado do Rio Grande do Sul, a cidade de Porto Alegre, apresentou a maior pontuação com 53,58, entre as cidades com mais de 500 mil habitantes, seguido de Caxias do Sul, com 51,68 pontos, nas cidades com população de 100 a 500 habitantes e a cidade de Lageado com 50,86, pontos, nas cidades com população de 50 a 100 habitantes. No RS, nas cidades até 50 mil habitantes a melhor pontuação é de Estrela, com 37,53, seguido de São Marcos 32,36 e Vacaria com 32,43 pontos.
Ao verificar o ranking dos municípios que integram a AMZOP, evidencia-se que a cidade de Frederico Westphalen apresenta a pontuação de 29,76, seguido da cidade de Rodeio Bonito com 29,08 e Ametista do Sul com 27 pontos de uma escala de 0 a 100. O Município de Lageado do Bugre, não apresentou pontuação no cálculo do Ranking.
Por meio do quadro, apresenta-se a relação dos municípios que integram a AMZOP, a pontuação de cada eixo, e o PIB per capita.
Ao analisar a média dos eixos temáticos dos indicadores das cidades da AMZOP, denota-se que as maiores médias estão relacionadas aos eixos de Economia e finanças 63,14, seguido de 62,61 de educação e saúde, e 52,36 de agricultura local/urbana e segurança alimentar.
No eixo economia e finanças, são avaliados os indicadores relacionados a concentração de empregos, crescimento no número de empregos, Produto Interno Bruto, Despesas de capital em relação a despesas total, capacidade de pagamento, perdas históricas com desastres etc. O eixo Educação, trata dos indicadores relacionados a relação estudante professor, Ideb anos finais, média alunos turma porcentagem de população em idade escolar matriculados em escolas, número de computadores e outros dispositivos por 1000 estudantes etc.
Por outro lado, menores médias se contatam nos eixos de inovação e empreendedorismo 19,39 seguido de meio ambiente e mudanças climáticas com 20,96.
No eixo de inovação e empreendedorismo, são mensurados os indicadores de porcentagem de força de trabalho empregada nos setores de tecnologia da informação e comunicação (TIC), porcentagem de trabalho ocupada nos setores de educação, pesquisa e desenvolvimento, empo médio de abertura de empresas, crescimento de empresas de economia criativa e número de startups. De acordo com o ... cidade de Florianópolis lidera este Ranking.
O Eixo meio ambiente e mudanças climáticas, é formado pelos indicadores que retratam o número de estações remotas, da qualidade do ar em tempo real por Km2, emissão e gases de efeito estufa média em toneladas per capita, porcentagem de áreas designadas para proteção natural, despesas anuais com infraestrutura verde e azul com uma porcentagem do orçamento total da cidade,
A busca por melhores indicadores desses 13 eixos nos municípios da AMZOP exige o esforço conjunto na execução de um conjunto de objetivos e metas, evidenciados em planejamento estratégico conduzido pela entidade.
A sinergia na busca na busca de melhores indicadores e rankeamentos nas métricas das cidades sustentáveis, que envolvem o alinhamento integrado de vários atores entre os quais: parcerias acadêmicas, cooperativas, entidades não governamentais, entidades de classe diversas, órgãos públicos etc.
O desenvolvimento integrado garante que mesmo as cidades de menor porte possam se beneficiar de soluções modernas de gestão, revertendo a tecnologia em atratividade econômica, bem-estar social e desenvolvimento ambiental.
Fonte: Jornal O Alto Uruguai