Chuvas intensas geram danos e prejuízos às safras no RS
A área cultivada na Safra 2023 está estimada em 1.505.704 hectares, e a produtividade prevista é de 3.021 kg/ha
As chuvas volumosas que atingiram boa parte do Rio Grande do Sul nos últimos dias causaram danos em algumas lavouras de trigo que estão nas fases de floração e início da formação dos grãos, principalmente devido ao acamamento em certas áreas e à queda de flores das plantas. De acordo com o Informativo Conjuntural, divulgado nesta quarta-feira, 6, pela Emater/RS-Ascar, vinculada à Secretaria Estadual de Desenvolvimento Rural (SDR), a extensão dos danos e o possível impacto na produtividade ainda não puderam ser avaliados com precisão, sendo necessária a melhoria das condições ambientais para aguardar a reação das lavouras após o fenômeno climático, o que permitirá a realização de vistorias de avaliação. No momento, a principal fase reprodutiva do trigo é a floração, que alcança 49% dos cultivos. Parte das lavouras, localizadas a Noroeste do Estado, evoluiu para maturação. A área cultivada na Safra 2023 está estimada em 1.505.704 hectares, e a produtividade prevista é de 3.021 kg/ha.
Cultivos de verão
A semeadura dos cultivos de verão para a Safra 2023/2024 apresentaram progresso significativo, em função do tempo seco, até o dia 31 de agosto. No entanto, as precipitações intensas, que iniciaram na última sexta-feira 1º, causaram erosão nas lavouras de milho onde o preparo do solo seguiu o método convencional ou onde a cobertura vegetal era insuficiente para mitigar o impacto das gotas de chuva. Esse cenário resultou em considerável escoamento superficial e na formação de sulcos, que transportaram fertilizantes para áreas mais baixas, incluindo rios; a extensão dos danos ainda não foi avaliada. Além disso, algumas lavouras de milho que foram recentemente implantadas e ainda não tinham emergido, podem enfrentar problemas de selamento superficial devido às chuvas intensas.
A chegada de uma frente fria com altos volumes de chuvas adiou o início dos trabalhos de plantio do arroz na maioria dos municípios, onde se esperam melhores condições climáticas nos próximos dias. O Instituto Rio-Grandense de Arroz (Irga) projeta área de cultivo de 902.425 hectares. A Emater/RS-Ascar estima produtividade de 8.359 kg/ha, resultando em produção de 7.543.137 toneladas para a Safra 2023/2024,.
Para o diretor técnico da Emater/RS, Claudinei Baldissera, o mais importante neste momento é salvar vidas. “Há muitas pessoas para serem atendidas e socorridas e essa é a prioridade. Só depois vamos contabilizar as perdas na agricultura e na pecuária, já que muitos rebanhos também estão sofrendo com os alagamentos provocados pelas enxurradas”, avalia.
Criações
Bovinocultura de corte – O escore corporal dos animais tem melhorado em função do aumento da oferta de pastagem de inverno. Contudo, os rebanhos sem pastagens de inverno enfrentam dificuldades na manutenção de peso, devido à escassez e à baixa qualidade da forragem no campo nativo, durante este período. Os valores pagos aos produtores continuam a diminuir, pois a retirada dos animais das áreas de pastagem está aumentando a oferta de boi gordo no mercado regional.
Bovinocultura de leite – O tempo seco no início do período foi benéfico para o desenvolvimento e para o uso das pastagens na bovinocultura de leite. Contudo, a partir de 1º de setembro, os volumes elevados de chuva causaram transtornos, dificultando o acesso às pastagens. Em algumas propriedades, a suplementação com feno e o aumento na oferta de milho têm se tornado alternativas. Porém, produtores com recursos limitados têm utilizado pastagens, mesmo em condições inadequadas, o que pode levar à degradação dessas áreas por falta de opções alimentares para os animais.
Fonte: Jornal O Alto Uruguai