Cada professor tem sua história!
Profissionais da região compartilham experiências e mostram que a dedicação e o amor por ensinar faz diferença na vida dos alunos
Instituído oficialmente pelo governo João Goulart, em 1963, o Dia do Professor é comemorado no Brasil em 15 de outubro, enquanto a Unesco estabeleceu o dia 5 de outubro para homenagear os educadores. A escolha nacional tem um motivo: em 15 de outubro de 1827, Dom Pedro I publicou um decreto criando o ensino elementar no país.
Entretanto, a primeira comemoração voltada aos professores ocorreu 120 anos depois, quando o professor Salomão Becker teve a ideia de realizar uma comemoração voltada aos professores. Ainda no dia 15 de outubro, comemora-se o Dia de Santa Tereza D’Ávila, também conhecida como Santa Teresa de Jesus, a padroeira dos professores.
Falar da importância dessa profissão quase parece um clichê, afinal, são os professores que formam a todos os demais profissionais. Desde a alfabetização, são eles que acompanham a criança e depois o jovem até a sua formação, inclusive, na vida adulta. Mensurar o quanto a tarefa de ensinar é nobre e tem papel fundamental para o desenvolvimento da sociedade é quase impossível. Por isso, para homenagear as pessoas que dedicam a sua vida a essa missão, o jornal O Alto Uruguai conversou com professoras da região e, com as suas histórias, registra o reconhecimento a todos os profissionais da área, marcando mais um dia 15 de outubro.
“Sou professora porque acredito que a educação transforma”
Carine Mello da Silva tem 34 anos, é mestre em Educação pela URI/FW, pós-graduada em Linguagem Brasileira de Sinais (Libras) pela Uníntese, pós-graduada e capacitação em Educação Especial (URI/FW) e pedagoga também pela URI/FW. É professora estadual desde 2014 para as turmas do segundo ano do ensino fundamental, na Escola Estadual de Ensino Fundamental Caiçara, em Caiçara. Também é intérprete de Libras no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Farroupilha de Frederico Westphalen (IFFar-FW).
Seu trabalho tem se destacado na região, pois une o processo de alfabetização das crianças com a aprendizagem da língua brasileira de sinais. “A criança nessa fase desenvolve sua oralidade e amplia o processo de percepção de tempo, espaço e visão de mundo. Trazer a língua brasileira de sinais para dentro da sala de aula resulta em uma experiência rica e cheia de vivências. As crianças amam aprender libras, elas têm facilidade na assimilação de novos sinais, bem como na construção de palavras por meio da datilologia, que é a escrita de palavras com o alfabeto manual. Como sou professora alfabetizadora utilizo muito da datilologia para a construção e leitura de novas palavras”, conta.
Carine explica que começa pelo básico, com o nome de cada aluno, após, aumenta o grau de dificuldade, palavras com dígrafos e sílabas complexas, por exemplo. “É lindo de ver o encantamento das crianças com a língua de sinais, tudo o que eles aprendem na escola, chegam em casa e ensinam aos pais, assim a importância da língua vai sendo cada vez mais difundida nas famílias e comunidade em geral”, completa.
Mesmo que Libras não seja uma disciplina obrigatória ou que a Escola Caiçara não tenha, atualmente, nenhum educando com surdez incluído, a professora deixa de ensinar. “Os alunos que passam por mim têm contanto com a língua brasileira de sinais e despertam o desejo de se apropriar desse conhecimento, além de desenvolverem empatia pelo outro e pelas pessoas surdas, bem como com outras ‘d’ eficiências. Crianças aprendem por meio das vivências e se essas forem encantadoras, realmente ocorre o aprendizado. A sementinha da empatia, do amor pela Libras e o respeito com o outro é plantada e regada com muito cuidado e significado ao longo do segundo ano do ensino fundamental”, finaliza Carine.
“Que os professores nunca percam a esperança de fazer a diferença na vida de seus alunos”
Andréa Garbin Barcelos tem 53 anos, é formada no magistério, graduada em História pela URI/FW, pós-graduada no Ensino de História e Cultura Afrobrasileira e no Ensino de Educação de Jovens e Adultos, ambas especializações pela Universidade Pitágoras Unopar-Anhanguera. Atua há 29 anos na educação e atualmente dá aulas do sexto ao nono ano do ensino fundamental na Escola Municipal de Ensino Fundamental Evaldo Roberto Nickhorn, em Rodeio Bonito.
– Escolhi essa profissão devido à influência de minha mãe e a admiração que tenho por uma professora que lecionou para mim. O que mais considero gratificante nessa profissão é quando consigo inspirar um educando a ter paixão por algo e fazer a diferença em sua vida – compartilha Andréa.
Uma das atividades que se destaca no trabalho da professora é a participação no projeto A União Faz a Vida, desenvolvido por meio de parceria entre a Prefeitura de Rodeio Bonito e a Sicredi Conexão. “Na disciplina de História procuro trabalhar com os educandos de maneira diferenciada, na medida do possível, tentando proporcionar maior autonomia, senso crítico e experiências diversificadas para que eles possam encontrar seu lugar no mundo atual”, conclui a professora.
“A docência é muito além de uma mera profissão, trata-se de tocar vidas e impactá-las”
Claudia Maira Silva de Oliveira tem 31 anos e fez o Curso Normal no Instituto Madre Tereza, de Seberi. É formada em Letras – Língua Portuguesa pela URI/FW, pós-graduada em Metodologia do Ensino de Língua Portuguesa e mestre em Letras – Literatura Comparada. Também é formada em Pedagogia e é pós-graduada em Psicopedagogia Institucional com Ênfase na Educação Especial. No início da carreira trabalhou em escola da rede privada e, na sequência, na Escola de Educação Especial Cantinho da Esperança, da Apae de Seberi, onde também foi coordenadora pedagógica, cargo que ocupou no 2º Conselho das Apaes.
– A Escola Cantinho da Esperança foi importante para minha formação humana e também profissional, pois pude vivenciar e aprender muito sobre a educação especial e inclusão – comenta Claudia Maira.
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Fonte: Jornal O Alto Uruguai