Elisabete Cerutti
Elisabete Cerutti

Doutora em Educação e diretora-acadêmica da URI/FW

beticerutti@uri.com.br

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Encerrando e iniciando ciclos

É um abraçar constante: as pessoas, a espiritualidade, a fé e aqueles que convivem os cotidianos conosco

Publicado em: 14/12/2019

Dezembro sempre nos fascina...

É um mês que encerra tantos processos, finaliza calendário civil e com ele todas as memórias dos feitos ao longo do ano. Encerra com tom de despedida, com sentimentos de cumprimento de tarefas, etapas, ciclos. Finaliza prazos, calendários, metas.

É um mês que inicia uma nova temporada de esperança, de propósitos, de calendário civil. Abre portas, sonhos, renova a vida, as pessoas e as atitudes.

É despedida e é chegada.

É adeus e é bem-vindo.

É um abraçar constante: as pessoas, a espiritualidade, a fé e aqueles que convivem os cotidianos conosco.

É tempo de mergulhar na memória, no afeto e no que foi feito, assim como é tempo de olhar o oceano e os horizontes de possibilidades.

Alfredo Veiga-Neto, professor e pesquisador, ao escrever “É preciso ir aos porões”, nos alerta que viver é procurar o caminho mais seguro para compreender as origens e os possíveis desdobramentos e consequências dos muito atuais e variados fenômenos sociais e educacionais. Por vezes, é preciso ir aos porões, que nos potencializam para enfrentarmos com racionalidade tais fenômenos, “trabalhando a favor daquilo que nos interessa e contra os constrangimentos e limitações que nos impõem”.

As idas aos porões nos trazem lições que nosso mundo tem história e é bem mais complexo do que nos foi possível olhar. Ir aos porões é buscar pelo saber, pelo conhecimento, que nos liberta e nos traz tantas compreensões sobre as relações, os fatos e os fenômenos.

O porão de uma casa guarda tantas histórias, memórias e significados, por vezes até incompreendidos. Mas estão lá e nos fazem perceber o que é o ambiente, por vezes escuro, e a construção que ampara toda a casa que temos, aprofundando as raízes e entendendo como se formaram os objetos e as situações criadas com o que lá está, os valores, os princípios, as raízes. O autor ressalta também que é preciso “trazer do porão para as partes de cima da casa esse caráter contingente das coisas que nos permitirá praticar um ativismo consequente e (talvez…) transformador, e não simplesmente praticar apenas uma militância obediente aos cânones já pensados e traçados por outros. Ainda que se deva escutar a todos, é preciso praticar a escuta com cuidado, com espírito crítico e cotejando o que dizem com as outras coisas já ditas e que se alojam nos porões dos discursos”.

Porém, nesta casa, também pode ter um sótão. O lugar que olhamos para o todo, o futuro, os sonhos. Um lugar que nos possibilita respirar mais luz, ver sob um outro ângulo o que o porão nem sempre nos faz enxergar. É ali que se aprofunda a esperança de um outro olhar. 

Viver, seja na conclusão de um ciclo ou no início do outro, é transitar entre o porão e o sótão sem esquecer da casa que transitamos entre o que nos trouxe até aqui e no que deixaremos como legado para as gerações futuras.

Dezembro também opera em nós um planejamento do que queremos para nossa vida, nossa casa, nosso futuro. E tenham plena certeza. Precisamos estar melhor preparados para ele.

Não existe fórmula mágica. Existe trabalho. Trabalho. Estudo. Formação continuada. Inovação. Esperança. Fé. Inteligência coletiva. Existe um janeiro. Um porão. Um sótão.

Boas festas, amigos leitores!

 

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