Antonio Carlos Rossi Keller
Antonio Carlos Rossi Keller

Bispo da Diocese de Frederico Westphalen. Formado em Filosofia e em Teologia, com mestrado em Teologia, pela Pontifícia Faculdade Nossa Senhora da Assunção, de São Paulo, com especialização em Teologia Espiritual e Formação de Seminaristas, pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma.

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Maria, sinal da benevolência divina

O pecado original destruiu a filiação divina e a consequente intimidade com Deus

Publicado em: 07/12/2019

A 1ª Leitura desta Solenidade (Gênesis 3,9-15.20) nos diz que: “Depois de Adão ter comido da árvore, o Senhor Deus chamou-o e disse-lhe: ‘Onde estás?’ Ele respondeu: ‘Ouvi o rumor dos vossos passos no jardim e, como estava nu, tive medo e escondi-me’”. A serpente seduziu Eva e esta arrastou Adão na sua desgraça e ruína do pecado original. De repente, Adão e Eva viram-se reduzidos à mais extrema indigência. Afinal, o que Satanás queria não era fazê-los como deuses, mas reduzi-los à miséria e à infelicidade.

O pecado original destruiu a filiação divina e a consequente intimidade com Deus. Adão e Eva escondem-se, porque têm medo de se encontrarem com Deus. Não é normal que um filho tenha medo do pai e se esconda quando ele chega em casa. O mais normal é que se lance a correr ao seu encontro e se abrace a ele, cobrindo-o de beijos. No caso de Adão e Eva, foram-lhes roubados os tesouros da graça e da filiação divina. Adão confessa, triste que está nu. A nudez é sobretudo a extrema indigência a que o demónio conseguiu reduzi-los, levando-os ao pecado. Os nossos pecados pessoais fazem-nos também perder o gosto de estar com Deus – de orar – de tratar de coisas espirituais.

O pecado original dos nossos primeiros pais não é uma lenda, mas um tremendo acontecimento cujas consequências ainda se fazem sentir hoje. O pecado grave pessoal é como um naufrágio em que perdemos tudo o que levávamos conosco. Por ele perdemos a graça santificante – veste indispensável para entrarmos no Céu – a comunhão de amor com Deus, a paz e a alegria interior, a paz da consciência e o sentido da vida.

Deus vem ao encontro dos dois, não para os castigar e humilhar, mas para os ajudar a compreender o mal que tinham feito e anunciar-lhes a misericórdia. O primeiro sinal da benevolência do Senhor é a promessa de confiar a luta contra Satanás e seus sequazes a uma Mulher que seguirá à frente dos filhos de Deus. “Estabelecerei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a descendência dela. Esta te esmagará a cabeça e tu a atingirás no calcanhar.”

Segundo os Seus desígnios eternos, a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade – o Verbo – assumirá a nossa natureza humana com todas as suas fragilidades, exceto no pecado. Como Deus, as Suas obras têm merecimento infinito, podendo, com efeito, pagar a dívida infinita contraída pelo pecado dos nossos primeiros pais e pelos pecados de cada um de nós, até ao fim do mundo. Como Homem, poderá apresentar-se diante do Pai em nome de cada um de nós. Mas, para assumir verdadeiramente a natureza humana – um corpo mortal – seguindo as leis da natureza, precisará do seio de uma mulher. Foi assim que Deus “sonhou” com Maria desde toda a eternidade. Adornou-a com todas as qualidades, dons e graças.

Ela foi imune da culpa original, pelos méritos do seu futuro Filho. Como poderia Deus suportar que o demônio Lhe pudesse dizer: “A Tua Mãe, antes de ser Tua, foi minha escrava, pois contraiu a culpa de Adão!?”. Deus projetou ainda outra maravilha: o demônio seria vencido por uma mulher, tal como conseguira entrar no mundo por Eva. Foi ela que lhe abriu a porta para entrar também no coração de Adão.

Alegremo-nos com esta celebração da Imaculada Conceição de Maria.

 

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