Lírio Zanchet
Lírio Zanchet

Professor aposentado e empresário.

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O governador e os deputados na contramão!

Alguns alcançam a cifra de quase R$ 200 mil mensais

Publicado em: 15/06/2019

O Estado do Rio Grande do Sul assistiu estupefato a comunicação de que o governador Eduardo Leite e a maioria absoluta dos deputados estaduais aprovaram o novo salário do futuro presidente do Banrisul, que por sinal é carioca. Quando a maioria dos trabalhadores tem de sobreviver com um mísero salário de R$ 1 mil, nossos representantes, eleitos democraticamente, aprovaram o salário de R$ 90 mil para o presidente do banco gaúcho, “a guaiaca do povo” nos dizeres do Olívio Dutra. E isto, que o projeto previa não só R$ 90 mil, mas R$ 134 mil mensais.

Alguns cidadãos, a favor da medida, me argumentavam que o cargo exige tais valores, já que o Banco é uma instituição de economia mista, e que o montante é compatível com instituições congêneres, e que o mercado requer, etc. etc. etc. Ora, ora. Em Estado falido e sem dinheiro que, depois de quatro anos de Sartori e já seis meses de Eduardo Leite, ainda não consegue pagar seus funcionários em dia, que amarga um déficit de R$ 71 bilhões, que mais vive no Palácio do Planalto do que no Piratini, com o pires na mão, esmolando migalhas... Como é possível que resolvam presentear um seu funcionário com a estratosférica soma de R$ 90 mil mensais? É de fazer explodir o banco, seus operários e o povo da Querência Amada.

Este cidadão, agraciado com tal benesse, deve ser, no mínimo, um Pelé monetário, um Neymar das finanças para justificar tão astronômico investimento. Mas mesmo supondo que seja um moderno Jesus Cristo, que com cinco pães e dois peixes consiga alimentar 11 milhões de gaúchos e que consiga deletar as dívidas e centuplicar os ativos do Banrisul, mesmo que dispusesse da varinha mágica e conseguisse transformar os débitos em lucros, mesmo assim, não poderia ele viver com um salário compatível com a situação do Estado e do país? Não habita neste corpo um resquício de patriotismo? Não poderia ele marcar os gols, levantar a taça, beijar a camisa, sem que o clube tenha de lhe dar o estádio em recompensa?

Depois que foi aprovada a Lei da Transparência (no meio de milhares marotas, vez que outra, o Congresso consegue parir uma lei boa), circulam pela cidade folhas com os salários de todos os homens públicos que percebem mais de R$ 20 mil/mês. São mais de cinco mil barnabés, em tese, servidores do povo. Alguns alcançam a cifra de quase R$ 200 mil mensais. Será que estes cidadãos praticaram atos tão heroicos que justificassem este presente cada fim de mês? E não se ouvem mais aqueles famosos defensores dos pobres que tanto gritavam contra “as desigualdades sociais”. Não se admirem se eles vêm demagogicamente chorar os mínimos, mas não erguem a voz contra os máximos salários... Quiçá, eles estão inseridos neste privilegiado grupo!

Eu entendo que a maior responsabilidade no Estado seja a do governador. Se um simples presidente de um banco já percebe R$ 90 mil, quanto deveria ganhar o secretário da Fazenda? Quanto o governador? E quanto o ministro da Fazenda? E quanto o presidente da República? Se há 12 milhões de desempregados, que ergueriam as mãos em agradecimento se recebessem apenas R$ 1 mil, como justificar que alguém ganhe R$ 90 mil? Sou cliente do Banrisul desde o uso da razão. Cheguei até fazer concurso em Cruz Alta e rodei, pois não sabia nem o que era um aval. Jamais privatizaria o banco, como fizeram muitos outros Estados. Mas diante de tais imoralidades, a gente emudece. No inferno deve ter mais lógica. Como dizia Charles De Gaulle, “o Brasil realmente não é um país sério”.

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