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Lírio Zanchet
Lírio Zanchet

Professor aposentado e empresário.

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Defendendo a decoreba

Mas a que se resumem os conhecimentos, se não a verdades arquivadas no computador cerebral?

Publicado em: 10/03/2018

Existem muitos adversários da decoreba. Acredito que até o Paulo Freire. Mas a que se resumem os conhecimentos, se não a verdades arquivadas no computador cerebral? A que se reduzem os teoremas de Pitágoras, as leis de Einstein, as fórmulas da Física e da Química, os artigos do Código Penal, a relação dos presidentes do Brasil, os verbos irregulares do Inglês, as declinações latinas ou, para ficar no feijão com arroz, a simples tabuada, que a gente é obrigado a saber de olhos fechados? Infelizmente, a decoreba é vítima de preconceitos nos tempos atuais.

É uma ferramenta importantíssima no dia a dia do cidadão, seja no campo intelectual, ou no profissional. Um vendedor que guarda na memória os nomes dos clientes, seus familiares e preferências, têm bem mais chance de colocar o produto. No passado, os professores exigiam que os alunos cuspissem as teorias ensinadas, de cor e salteado, para serem aprovados. A memória, como os músculos, é uma faculdade que deve e pode ser desenvolvida. Basta acioná-la e exercitá-la. Dizem que Juscelino Kubistchek conhecia o nome de todos os eleitores. O deputado Covatti vai na mesma direção. Sobre ele, reservo um capítulo, no meu próximo livro... Santo Antônio, nosso padroeiro, sabia de cor todo o Novo Testamento. O cientista Ampère recitava toda a Imitação de Cristo, o livro que o Sorriso distribui de graça. No Seminário de Santa Maria, o colega Eugênio Cecchin, em uma sessão literária, declamou todo o livro I-Juca Pirama, de Gonçalves Dias.  São fenômenos raros.

Aqui mesmo, em Taquaruçu do Sul, meu irmão Elio aprendeu e não esquece: “Um ninho de tico-tico. Feito com arte e primor. Achei no galho mais rico. Da minha roseira em flor”. E para comprovar que no passado os conhecimentos foram gravados na memória, o Aldir Marasca chega no supermercado e me surpreende, declamando os versos abaixo, decorados na antiga escola da linha Faguense. Vale pela mensagem:

 

Desde a idade dos seis anos

Zezinho pra mãe dizia

“Mamãe que quero ser padre

Se Deus quiser, algum dia!”

 

Pra não deixar José triste

A mãe nada respondia

Mas falava aos seus vizinhos

“Que isto nunca acontecia”.

 

O menino tinha mesmo

Verdadeira vocação.

Chegou a fazer em seu quarto

Um altarzinho no chão.

 

Enfeitava com as flores

Pra rezar sua oração.

Parecia até um santo

Projetando sua missão.

 

Foi então que certo dia

Ao completar sua idade:

“Mamãe eu quero partir

Me formar n’outra cidade.

 

A senhora me escreve

Quando apertar a saudade”.

Então a mãe resolveu

Lhe falar toda a verdade.

Não queria seu filho padre

Nem agora ou n’outra idade.

 

O rapaz ficou nervoso

Ao ver o sonho acabado

Não entendendo sua mãe

Sai correndo revoltado

E numa briga violenta

Matou um pobre coitado.

 

Vinte anos de prisão

O rapaz foi condenado.

A pobre mãe só chorava.

Vejam que triste destino:

Desprezou ser mãe de um padre

Pra ser mãe de um assassino.

 

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