Lírio Zanchet
Lírio Zanchet

Professor aposentado e empresário.

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O pecado da ingratidão

O próprio pai que dá chineladas no filho, não daria a própria vida por ele?

Publicado em: 05/01/2019

O biógrafo de Cristo, Lucas, no capítulo 17, conta o intrigante episódio da Cura dos Dez Leprosos. Naquela época, a lepra seria como o câncer nos dias de hoje. Com um agravante: um canceroso pode conviver normalmente na sociedade. Os leprosos dos tempos de Cristo deveriam ficar circunscritos a cavernas, isolados, pois a doença era contagiosa. Pense você, que nos seus braços, pernas e rosto, de repente, e progressivamente, a carne vai apodrecendo. Pense no aspecto horrível que você teria de si mesmo. O filme Ben-Hur expressa com repugnância, em um dos seus capítulos, como era o ambiente e a vida dos leprosos de então. Pelos idos do século passado, o mundo isolava estes farrapos humanos na ilha de Molokai, no Arquipélago do Havaí. Periodicamente, um navio deixava na praia mantimentos que os leprosos recolhiam para viver, melhor dizendo, sobreviver, quase como feras.

Voltemos aos Dez Leprosos. A notícia do Jesus milagroso chegara às cavernas dos leprosos. Certo dia, um grupo encheu-se de coragem, rasgando as regras estabelecidas, fugiram do seu ambiente e prostraram-se à margem da estrada, por onde Jesus passaria e gritavam: “Senhor, tem piedade de nós”. O mestre apiedou-se e ordenou: “Ide, mostrai-vos aos sacerdotes e ficareis curados”. E assim sucedeu. Mas apenas, UM voltou para agradecer. Deus, que era todo perdão e misericórdia, reclamou: “Como, só um voltou? Não foram DEZ os curados”...

Nós todos que batemos à porta do 2019, lembramo-nos de agradecer a vida a Deus, quando tantos ficaram pelo caminho do 2018? Nós, que temos a graça de entrar no templo, erguemos os olhos ao Céu, quando tantos pensam que estão no mundo, frutos do acaso, ou só freqüentam os seus escritórios, os seus consultórios, o clube, a academia, deixando Deus para as crianças ou para a terceira idade? Nós que chegamos em casa, podemos beijar a esposa, os filhos, os irmãos, alguma vez, rezamos por aqueles que não possuem família, ou ela se despedaçou, ou estão nos tribunais implorando que alguém deles se condoa e os adote?

Ou será que integramos aquela lista dos que só sabem reclamar, chorar, criticar. Não estamos contentes com o saldo bancário, com o salário recebido, com o preço da safra, quando ao nosso lado, inúmeros rezariam para estar no nosso lugar. Se faz calor, imploramos o frio do inverno. No inverno, suspiramos pelo verão. Quando chove, olhamos com raiva para o firmamento. Quando o sol não esbarra com nenhuma nuvem, torrando até a alma, vomitamos impropérios contra o tempo, contra a RGE, contra os mosquitos, contra os ventiladores, chutamos o balde e damos coices em tudo o que está ao redor.

Teríamos tanto a agradecer, mas jamais estamos contentes. Esbravejamos porque o nosso candidato perdeu a eleição, quando no passado foi o nosso Partido, o vitorioso! O Inter acabou o Brasileirão na frente do Grêmio, porém, só temos olhos para a desgraceira do Vitório Piffero. O Grêmio tem o melhor futebol da América (segundo o Renato), porém, lamenta não ter levantado a taça. Eu tive de engessar a perna, mas não percebo o meu irmão que está numa cadeira de rodas, ou que tem uma perna só. E quando a doença nos visita, jogamos as culpas em Deus, esquecendo que o Sofrimento é um dos caminhos da santidade, pois até o médico que nos corta a mão, quer o nosso bem, pois a cirurgia dolorosa é para salvar o corpo. O próprio pai que dá chineladas no filho, não daria a própria vida por ele?

Será que no Natal, nos ajoelhamos diante do Presépio, agradecendo que aquele Menino vinha nos trazer a salvação? Por que Natal sem Páscoa, é como buraco na água. E toda a Páscoa, passa pela Paixão, Crucifixão e Morte. Comece o ano, como eu termino a coluna: Obrigado Deus, por nos ter presenteado teu Filho.

 

Futebol – Lavro meus protestos, em nome de toda a família Grassi, por ter o Grêmio dispensado seu goleiro Bruno Grassi. Agora, o Marcelo Grohe deixou o Grêmio na mão, e o Grassi mandaram embora. Não torço mais pelo Tricolor...

 

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