Adriano Dal Chiavon
Adriano Dal Chiavon

Jornalista, formado na UFSM/FW.

Sugestões, elogios e dúvidas: clique aqui para enviar um e-mail.

Eleição mais apertada na região

Das 22 cidades do Médio Alto Uruguai, Bolsonaro vence em 12 e Haddad em 10, com uma diferença de 7,6 mil votos a favor do candidato do PSL

Publicado em: 10/10/2018

Por: jornalista Fábio Pelinson – jornalismo@oaltouruguai.com.br 

Mais de 147 milhões de brasileiros foram às urnas no domingo, 7. Nos 22 municípios da região de abrangência do jornal O Alto Uruguai, eram esperados quase 130 mil eleitores nas 535 seções eleitorais espalhadas por diversos pontos das zonas rurais e urbanas. Nem todo mundo compareceu, e os níveis de abstenções variaram entre 9,73% – menor índice, registrado em Pinheirinho do Vale – e 22,33% – maior índice, registrado em Iraí.

Com colinha em mãos, afinal, eram 19 números para serem digitados na escolha de representantes para seis cargos, os eleitores enfrentaram filas em algumas seções para exercer seu papel de cidadão. Também houve relatos de mesários sobre a dificuldade de alguns eleitores que acabaram anulando votos por não observarem a ordem correta da votação.

Tanto na disputa pela presidência como para o cargo de governador do Rio Grande do Sul, os eleitores terão que retornar às seções de votação no próximo dia 28, para a definição dos cargos. Para presidente, Jair Bolsonaro (PSL), com 49 milhões de votos, e Fernando Haddad (PT), com 31 milhões, se credenciaram para o segundo turno. No Estado, a disputa segue entre Eduardo Leite (PSDB), que teve 35,9% dos votos, e José Ivo Sartori (MDB), candidato à reeleição, com 31,1% dos votos.

A região, no entanto, não acompanhou os mesmos parâmetros de votação que o país e Estado, respectivamente. Teve candidato vencendo no primeiro turno, e até outros concorrentes aparecendo em um virtual segundo turno, se a eleição fosse apenas em nível municipal. Na votação para presidente, por exemplo, em 12 municípios, Bolsonaro venceu a disputa, já nos outros 10, Haddad superou o ex-militar.

Em número total de votos, o candidato do PSL foi o preferido por 44.951 eleitores, contra 37.284 do petista e 10.049 de Ciro Gomes (PDT). No Rio Grande do Sul, Bolsonaro seria eleito no primeiro turno, com 3,3 milhões de votos, contra 1,4 milhão de Haddad. Já entre os municípios da região, o candidato não precisaria do segundo turno apenas em Frederico Westphalen, onde teve 55,29% dos votos. No entanto, teve cidades com extremo equilíbrio, como em Iraí, onde a diferença entre os presidenciáveis que irão para o segundo turno foi de apenas 55 votos pró-Bolsonaro. Já em Cristal do Sul, com mais de mil votos, Haddad seria eleito ainda no primeiro turno.

 

Votos para presidente na região

Jair Bolsonaro (PSL) – 44.951 votos 

Fernando Haddad (PT) – 37.284 votos 

Ciro Gomes (PDT) – 10.049 votos 

Geraldo Alckmin (PSDB) – 4.560 votos

Henrique Meirelles (MDB) – 1.915 votos

João Amoêdo (NOVO) – 1.436 votos

 

Governador 

Extremo equilíbrio entre MDB, PSDB e PT na região

Assim como na votação para presidente, a escolha para governador teve surpresas na região em relação ao resultado final em nível estadual. A primeira delas é que o candidato petista, Miguel Rossetto, que fez 17,76% dos votos em todo o Estado, foi o mais votado em 12 municípios do Médio Alto Uruguai. Em Cerro Grande, Cristal do Sul, Dois Irmãos das Missões e Erval Seco, Rossetto teve mais de 40% dos votos.

Já Eduardo Leite, o mais votado no RS, só liderou as urnas em quatro municípios – Caiçara, Pinhal, Seberi e Taquaruçu do Sul. Em Pinhal, inclusive, foi registrada a menor diferença: o tucano superou Sartori por apenas um voto. Em Pinheirinho do Vale, curiosamente, o candidato do PSDB aparece apenas na quarta colocação, atrás de Sartori, Jairo Jorge e Rossetto, respectivamente.

A cidade com maior rejeição a uma eventual reeleição foi Palmeira das Missões, onde PSDB e PT fizeram quase dois mil votos a mais do que Sartori. No entanto, o “Gringo” venceu em Frederico Westphalen e outros seis municípios, somando o maior número de votos na região: 28.950. Eduardo Leite foi o segundo em número de votos, com 28.315, e Rossetto, o terceiro, com 27.476. Apesar de ganharem em menor número de municípios, Leite e Sartori foram os escolhidos entre os eleitores nos maiores colégios eleitorais da região.

 

Votos para governador na região

José Ivo Sartori (MDB) – 28.950 votos 

Eduardo Leite (PSDB) – 28.315 votos 

Miguel Rossetto (PT) – 27.476 votos 

Jairo Jorge (PDT) – 8.985 votos

Mateus Bandeira (NOVO) – 1.530 votos

 

 

Renovação em grande parte das cadeiras do Senado

Os gaúchos elegeram Luis Carlos Heinze (PP), com 21,94% dos votos, e reelegeram Paulo Paim (PT), com 17,76%, aos cargos de senadores pelo Rio Grande do Sul. Beto Albuquerque (PSB) ficou em terceiro, com 16,23%. Nos votos totais da região, a situação se inverte com o candidato do PT liderando, com 39.333 votos, seguido do passo-fundense do PSB, com 29.519, e de Heinze, com 29.400.

No Brasil, três de cada quatro candidatos que tentaram a reeleição para o Senado, não conseguiram. Dos 32 atuais senadores candidatos, apenas oito foram reeleitos, um deles Paulo Paim (PT), que liderou a votação para o Senado em 20, dos 22 municípios da região. As exceções foram Frederico Westphalen, onde o mais votado foi Beto Albuquerque, e Vicente Dutra, com Heinze liderando nas urnas. 

 

Votos para senador na região

Paulo Paim (PT) – 39.333 votos 

Beto Albuquerque (PSB) – 29.519 votos

Luis Carlos Heinze (PP) – 29.400 votos 

Fogaça (MDB) – 25.093 votos

 

 

Recorde de partidos na Câmara dos Deputados 

A partir de 2019, a Câmara dos Deputados terá 30 partidos representados, um recorde atingido nessas eleições. O PSL, partido de Jair Bolsonaro, foi o que deu o maior salto dentro da casa, elegendo 52 deputados contra um, eleito em 2014. Com isso, o partido terá a segunda maior bancada, perdendo apenas para o PT, que terá 56 deputados. Um dos petistas é Dionilso Marcon, que foi reeleito com mais de 122 mil votos. Marcon foi o deputado federal mais votado em 12 municípios da região, na maioria deles, na dobradinha de liderança com o deputado estadual Edegar Pretto.

Ainda, na região, outros sete deputados federais lideraram votações em municípios, destaque para Osmar Terra (MDB), mais votado em Frederico Westphalen, Palmitinho e Taquaruçu do Sul, e Covatti Filho (PP), que liderou as urnas em Dois Irmãos das Missões e Planalto, além de ser o segundo mais votado em outras cidades da região. 

 

 

Assembleia Legislativa com 28 novos deputados

Metade das cadeiras da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul será ocupada por novos deputados em 2019. Dos 55 eleitos, 28 serão estreantes, contra 27, que acabaram reeleitos. O grande destaque na região foi Edegar Pretto (PT), o mais votado em 72% dos municípios. O petista acabou reeleito, com um total de 91.471 votos, sendo o quarto mais votado no Estado. Também apareceram na liderança de votos em municípios da região: Silvana Covatti (PP), FW e Planalto; Classmann (PTB), Iraí; Everaldo Marcon (PTB), Palmitinho; Gerson Burmann (PDT), Pinheirinho do Vale; e Enio Bacci (PDT), Vicente Dutra.

 

Caso de boca de urna e reclamação sobre urna eletrônica

De maneira geral, as eleições correram dentro da normalidade na região. Tanto a Brigada Militar quanto a Justiça Eleitoral consideraram um pleito tranquilo no domingo. Mesmo assim, pelo menos duas ocorrências foram registradas em Frederico Westphalen. Uma delas foi a identificação de um caso de boca de urna, no bairro Aparecida. “A pessoa estava com uma determinada quantia de ‘santinhos’ e entregando próximo ao local de votação. A viatura da Brigada Militar deslocou e flagrou o fato”, relata o capitão Douglas Knorst. O material que estava sendo distribuído foi apreendido.

Cerca de 10 urnas precisaram ser substituídas na região por problemas técnicos. “Foram algumas intercorrências normais. Encontramos em algumas zonas de votação aquela prática que ainda, infelizmente, se faz, que é o derrame de santinhos. Ainda, encontramos algumas propagandas irregulares, mas foi determinado na hora a retirada”, afirma o juiz eleitoral da 94ª Zona Eleitoral, Alejandro César Rayo Werlang.

O domingo de votação também foi marcado por vídeos que circularam nas redes sociais que denunciavam o que seria uma fraude nas urnas eletrônicas na votação para presidente. No entanto, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgou um vídeo com um técnico explicando a manipulação da imagem que circulava entre os eleitores, ou seja, confirmando que se tratava de mais uma fake news, divulgada inclusive por candidatos e replicada pela população.

Em Frederico Westphalen também teve um caso de reclamação de eleitor em relação à votação para presidente na urna eletrônico, na seção 89, localizada no ginásio Ivanildo Gazzoni. “Quanto a urna eletrônica, mais uma vez vai se provar que ela é 100% segura. Tivemos uma ocorrência de pessoas que disseram que não viram o candidato a presidente aparecer na urna. Talvez a pessoa não viu, ou apertou muito rápido. A pessoa fez essa denúncia, vai ser apurado, mas o que a gente tem é que as urnas funcionaram perfeitamente, como sempre funcionaram e como vão continuar funcionando”, comentou o juiz eleitoral sobre o caso.

Também houve em Frederico Westphalen um princípio de confusão envolvendo candidatos a deputados e um fiscal de urna de um partido em frente às seções 35 e 77, na Biblioteca Carlos Luis Vendrusculo, na rua do Comércio.

COMENTÁRIOS

Os comentários no site não são moderados e são de inteira responsabilidade de seus autores. Utilize este espaço com elegância e responsabilidade. Ofensas pessoais e palavras de baixo calão serão excluídas.