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Unopar nº 9
Marcelo Blume
Marcelo Blume

Administrador, especialista em Marketing e mestre em Engenharia de Produção. Palestrante, pesquisador e escritor, com artigos e quatro livros publicados na área de gestão.

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A eleição mais importante

No último pleito, em 2014, mais de 70% dos parlamentares foram reeleitos, mesmo com o conjunto de denúncias, prisões, flagrantes que já se amontoavam na época

Publicado em: 12/09/2018

Estamos a cerca de três semanas de uma das eleições mais importantes do país. Infelizmente está sendo comum ver e ouvir amigos brigando para ver quem tem razão na opção do candidato a presidente que defendem e esquecendo o restante da eleição. Tem antropólogo que entende ser uma característica dos latinos a esperança de um salvador e seria este o motivo de se ver semideuses entre candidatos ao Executivo, negligenciando a formação do Legislativo.

Neste pleito de 2018, a eleição mais importante possivelmente não é para os cargos de presidente e governador, mas para o Senado, Câmara Federal e Assembleias Legislativas. A Constituição em vigor foi escrita para funcionar no sistema parlamentarista, o que proporcionou grande poder ao Congresso e, por conseguinte, para as Assembleias Legislativas. O presidencialismo venceu o plebiscito, mas a constituição já estava escrita. O que temos visto são poucas mudanças sendo propostas, levando tantos anos para serem apreciadas, que quando aprovadas, em boa parte já não tem mais sentido.

Independente do que está prometendo o seu candidato a presidente ou governador, o país e os Estados precisam de reformas urgentes nas áreas fiscal, tributária, previdenciária e política. O Congresso e as Assembleias Legislativas parecem ter aprendido que ao dificultar, polemizando, alegando impopularidade das medidas, pode barganhar concessões, tanto legais como emendas parlamentares, cargos para simpatizantes, quanto ilegais como os mensalões e outros. Os parlamentares que votam pelos interesses do futuro do país e do Estado, fiéis ao segmento que representam, parecem ser poucos e insuficientes diante dos desvios de interesses. No último pleito, em 2014, mais de 70% dos parlamentares foram reeleitos, mesmo com o conjunto de denúncias, prisões, flagrantes que já se amontoavam na época. Quem os reelegeu?

Neste contexto, a eleição que provavelmente é a mais importante é para senador, deputado federal e deputado estadual. Este é o grupo que vai votar as medidas propostas pelo presidente e governadores e pode propor projetos que transformem o futuro dos nossos Estados e país. Votar em parlamentares comprometidos com as reformas necessárias, que tem menos chance usar o seu voto por barganhas e interesses alheios a reconstrução necessária ao país, é umas das atitudes mais importantes para quem deseja ter um futuro digno.

Estão muito equivocados aqueles que entendem que uma autocracia, ou seja, um governo sem Congresso, totalmente nas mãos de um pequeno grupo pode ser a solução. Aqueles que pensam que a taxa de banditismo no Congresso não é menor que a de um presídio esquecem que a culpa por formar um Congresso sem credibilidade é de quem vota. Parece ironia, mas esta é uma atitude de quem parece fugir orgulhosamente responsabilidade de formar um congresso decente. A dicotomia de que nós, o povo, somos bons e eles, os políticos, são os maus, é ridícula, simplesmente por que é preciso muita gente votando para que um deputado seja eleito.

Estamos nesta situação lamentável devido aos anos de crise política, em parte porque exauriram-se as fontes de recursos para sustentar o volume crescente de barganhas exigidas para propor e votar as medidas necessárias ao país. Tiveram oportunidade, ganharam muito dinheiro das formas mais diversas possíveis e mesmo assim não propuseram, nem votaram as reformas para desenvolver o país. De outra parte a incoerência de um povo que diz que quer mudanças, mas que faz greve contra as mudanças que surgem. A estrutura de governança da nação está definida para que cada segmento tenha o seu deputado, para que no conjunto defendam os interesses do Estado e da Nação. Votos com mais critério poderiam solucionar a maior parte do problema.

Podemos auxiliar o país e o Estado neste momento convencendo quem está “de boa” esperando que um paizão, ou mãezona na presidência proporcione tudo o que precisa, a ser mais criterioso no voto para deputados e senadores, do que para presidente e governador. O centro da crise política que gerou a crise econômica do país não é a política, mas a forma como uma boa parte do eleitor se comporta.

Um abraço e até a próxima!

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