Marcio Bariviera
Marcio Bariviera

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A coleção de gibis

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Publicado em: 16/01/2021

Um amigo do interior de SP resolveu vender a sua coleção de gibis. Falou que ganharia um bom dinheiro com a venda, que sua esposa não aguentava mais aquela “tranqueira juntando pó”, que a decisão estava tomada e fim de papo.

Perguntei-o sobre quem havia tomado efetivamente a tal decisão, se ele mesmo ou se a batida de martelo havia sido da patroa, pois eu sabia o quanto aqueles gibis significavam para ele. “Eu mesmo”, foi a resposta.

Eu o conheço muito bem e sei por quanto tempo essa coleção faz parte de sua vida. Pelo menos uns 30 anos. “Não faça isso, depois você vai se arrepender e nenhum dinheiro do mundo vai pagar esse arrependimento”, comentei. “Decisão tomada, já disse”, foi sua resposta.

Eu tinha plena convicção de que ele iria, sim, se arrepender muito em breve. Portanto, resolvi insistir. “Lembra quando você vendeu seus times de futebol de botão e depois veio ‘chorar’ por carta para mim?”, perguntei.

Silêncio. O silêncio de um WhatsApp é a pessoa ler a mensagem e demorar para responder. Notei que ele havia acusado o golpe. “Não é justo, isso é jogo sujo”, foi sua resposta. Ali eu tive a certeza que conseguiria reverter a tal decisão.

Uma coleção é algo bem particular de cada pessoa. Sejam gibis, moedas, selos, times de futebol de botão (que é o meu caso), enfim. O valor que tem por trás disso é muito maior do que qualquer dinheiro.

Em tom de brincadeira, ele disse que eu poderia ser técnico de futebol, pois consegui convencê-lo a fazer uma coisa que ele tinha certeza de que não faria. Perguntei o que uma coisa tinha a ver com a outra e sua resposta foi de que quando um jogador obedece a um bom treinador, o time normalmente vai bem.

Acabei rindo de sua afirmação e lembrando que quinta-feira, 14, se comemorava o Dia do Treinador de Futebol. Aproveitando, parabéns a todos. Engana-se redondamente quem pensa que a profissão é fácil. Para a grande maioria, é mais raça do que dinheiro no bolso.

Voltando à nossa história, palavras dele, fui eu que consegui reverter aquela situação. E a coleção, a “tranqueira” que sua patroa intitulou, segue lá, juntando pó. Nada que um pano úmido com álcool não resolva.

 

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