Antonio Carlos Rossi Keller
Antonio Carlos Rossi Keller

Bispo da Diocese de Frederico Westphalen. Formado em Filosofia e em Teologia, com mestrado em Teologia, pela Pontifícia Faculdade Nossa Senhora da Assunção, de São Paulo, com especialização em Teologia Espiritual e Formação de Seminaristas, pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma.

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Jesus, descendente de Davi

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Publicado em: 19/12/2020

No decorrer dos séculos, Deus vai concretizando a promessa na vinda de um Redentor, enviando sinais para que ele seja reconhecido por nós. Em cada Domingo do Advento recordamos um deles: o Senhor virá salvar-nos, será descendente de Davi, nascerá de uma Mulher sempre Virgem, virá à luz em Belém.

Na 1ª Leitura de hoje (2 Samuel 7,1-5.8b-12.14.16) ele nos é apresentado como descendente do Rei David e ocupará eternamente o seu trono. David tinha deixado a lembrança de um reinado grandioso de justiça e de paz. Ele se sente mal por viver em uma casa rica e cômoda, feita de cedro enquanto a Arca da Aliança está debaixo de uma tenda. Assim ele propõe-se construir para o Senhor um templo. A delicadeza do rei David é uma chamada de atenção para todos nós, para aprendermos a acolher bem o Senhor. Em cada Missa, aproximamo-nos da Mesa Celeste para receber o Senhor do Céu e da terra, sob as aparências de pão. O nosso coração está limpo e adornado de virtudes quando nos dispomos a recebê-lo? Que preparação fazemos para cada comunhão, procurando limpar do coração tudo o que desagrada ao Senhor? É fácil deixar-se cair na rotina a aproximar-se para comungar com um coração frio e distraído ou mesmo – o que Deus nunca permita – em pecado mortal. Hoje, para algumas pessoas nada é pecado e só veem virtudes quando olham para dentro de si.

Outra forma de manifestarmos nossa atenção ao Senhor, que vem por meio do cuidado das nossas igrejas. Os nossos templos, em alguns lugares, deixaram de ser os edifícios mais asseados e artísticos, em confronto com as casas particulares. Uma falsa ideia de pobreza, aliada a uma crescente falta de fé e de amor, leva as pessoas a construir igrejas e objetos de culto sem arte e sem gosto. Um templo bem arranjado é um apelo permanente à nossa fé. Além disso, a comodidade e arranjo da casa de Deus, embora se realize inspirado pela fé, acaba por ser para nós. Deus não precisa de bancos, de luz ou de instalação sonora. Tudo isto é para nos ajudar a viver melhor a nossa fé nas celebrações. Tudo o que está em função do culto, deve ter qualidade. Os santos escolhiam para o culto o melhor que podiam. Assim procedeu o Santo Cura de Ars. Ainda hoje admiramos a riqueza dos paramentos que usava e o arranjo da pequenina igreja que lhe foi confiada.

Também devemos dar atenção a cada pessoa. Cada pessoa, seja qual for o seu estatuto social, é um templo de Deus. Procuramos que vista e se conduza com dignidade? Tratamos as pessoas com sumo respeito, nas palavras e atitudes? Somos sensíveis ao sofrimento, necessidades, dificuldades de nossos irmãos mais pobres?

Deus vai construir um templo maravilhoso no qual o Verbo Encarnado habitará durante nove meses e do qual receberá a natureza humana igual à nossa. Assim nos diz o Evangelho deste Domingo (Lucas 1,26-38). Maria é este templo maravilhoso que o Espírito Santo construiu e adornou de todas as virtudes. A riqueza espiritual deste templo é incomensurável. Ao sauda-la na manhã da Anunciação, o Arcanjo trata-a por “Cheia de Graça”, como nome próprio.

Preparemo-nos para, com Maria, acolher o Senhor que vem, neste Natal.

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