Antonio Carlos Rossi Keller
Antonio Carlos Rossi Keller

Bispo da Diocese de Frederico Westphalen. Formado em Filosofia e em Teologia, com mestrado em Teologia, pela Pontifícia Faculdade Nossa Senhora da Assunção, de São Paulo, com especialização em Teologia Espiritual e Formação de Seminaristas, pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma.

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Preparar a vinda do Senhor

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Publicado em: 25/11/2020

“Oh, se rasgásseis os céus e descêsseis! Ante a vossa face estremeceriam os montes! Mas vós descestes [...]. Nunca os ouvidos escutaram, nem os olhos viram que um Deus, além de vós, fizesse tanto em favor dos que nele esperam.” É o que ouvimos na 1ª Leitura deste 1º Domingo do Advento (Isaías 63,16-17.19; 64,2-7).

O mundo consumista, pela publicidade, nos impinge uma falsa noção do Natal: em vez de conversão pessoal, de mudança de vida, metralham os olhos e os ouvidos das pessoas com a publicidade. O Natal é identificado com o comprar mais, com o consumismo alienante: uma saborosa e abundante refeição no Natal, uma distribuição generosa de presentes — muitas vezes, de inutilidades — e um vago desejar de Boas Festas.

Mas bem sabemos que tudo isto não corresponde ao verdadeiro espírito do Natal. A paz produzida pelo Natal, tem de vir do alto e instalar-se dentro de cada pessoa que a procura numa sincera reconciliação com Deus. Este tempo do Advento, de preparação para o Natal deve significar para nós um autêntico aprofundar a consciência da fé. Muitos não apreciam a sua condição de cristãos, de filhos de Deus, porque ignoram completamente esta riqueza. Cada pessoa é convidada a caminhar para Deus na sua integralidade: pela inteligência, pela vontade e pela emotividade. Não podemos mutilar a pessoa humana, quando se trata de nos aproximarmos de Deus. O conhecimento de Deus leva-nos a amá-lo, porque Ele é a mesma Bondade infinita, o Amor. Por isso, a fé e o Amor de Deus são inseparáveis da nossa vida de cada dia. Não temos compartimentos estanques no nosso ser.

Assim, o Advento nos convida a concretizar a fé na vida. Um olhar lançado sobre a nossa vida ajuda-nos a tomar consciência de que há aspectos nela que não estão conformes com as exigências da fé que professamos. Vemos essas exigências na medida da nossa generosidade. Uma pessoa tíbia acha que está tudo bem na sua vida e não sente necessidade de mudar.

Também, este tempo nos incita a ajudar os outros. É uma dimensão imprescindível deste Advento. Se o nosso amor a Deus é sincero, havemos de sentir a necessidade de aproximar dele muitos amigos, lembrando o que Ele disse: “Eu vim para que (as pessoas) tenham vida (da graça) e a tenham em abundância.” (São João 10, 10).

Peçamos, neste tempo santo, a vinda do Senhor a nós, à nossa vida de cada dia, e não uma vinda que não se concretiza em nada. Ele quer vir para nos fazer felizes.

“Já não vos falta nenhum dom da graça, a vós que esperais a manifestação de Nosso Senhor Jesus Cristo. Ele vos tornará firmes até ao fim, para que sejais irrepreensíveis no dia de Nosso Senhor Jesus Cristo. Fiel é Deus, por quem fostes chamados à comunhão com seu Filho.”, nos diz a 2ª Leitura (1 Coríntios 1,3-9).

“Vigiai: não sabeis quando o dono da casa vem”. É o que nos diz o Evangelho (Mateus 13,33-37). Esta é a principal virtude do Tempo do Advento: a vigilância. Somos convidados a uma vigilância ativa, atenciosa. Vigilância é oração, é sobriedade no viver, é fé e caridade infatigáveis, é resistência ao mal.

 

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