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9 - coronavírus
Elis Radmann
Elis Radmann

Cientista social e política. Fundou o Instituto Pesquisas de Opinião em 1996. Utilizando a ciência como vocação e formação, se tornou uma especialista em comportamento da sociedade. Socióloga (MTb 721), obteve o Bacharel em Ciências Sociais na UFPel e tem especialização em Ciência Política pela mesma universidade. Mestre em Ciência Política pela UFRGS e professora universitária, Elis é diretora e Conselheira da Associação Brasileira de Pesquisadores de Mercado, Opinião e Mídia (ASBPM) www.asbpm.org.br

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O eleitor espera que o debate seja local

**Os textos de colunistas aqui publicados são de sua total responsabilidade e não refletem a opinião do jornal O Alto Uruguai.

Publicado em: 06/10/2020

As eleições municipais terão um debate mais municipalizado ou mais nacionalizado? Essa é uma dúvida que começou com a ampliação da polarização política nas eleições 2018 e que se intensificou pelo comportamento de uma parcela do eleitorado, que fica trocando “farpas” nas redes sociais e trazendo os debates nacionais para dentro da cidade, como se as cidades fossem divididas entre os que são favoráveis ou contrários ao Presidente. E fica mais acirrado nas cidades em que há disputa ideológica mais ativa, entre bolsonaristas e esquerdistas.

O IPO – Instituto Pesquisas de Opinião verificou a opinião dos gaúchos sobre esse tema, tanto quantitativa como qualitativamente.

Do ponto de vista quantitativo, quase 2/3 querem que o debate seja, eminentemente, local. Que os programas eleitorais tratem dos problemas do município. E os problemas do município estão divididos em dois grupos:

1) os problemas tradicionais = como infraestrutura/zeladoria (situação das ruas, limpeza, iluminação, saneamento), saúde (em especial o acolhimento e o acesso à consulta), segurança e educação.

2) os dilemas causados pela pandemia = nesse campo, urge a necessidade de uma plataforma que ajude a população de cada cidade a aliviar as sequelas financeiras. O grande dilema é: como o próximo prefeito irá auxiliar, orientar, incentivar os empreendedores ou se terá políticas públicas de atração de empresas, incentivos fiscais e negociação de dívidas. Os prefeitos também precisam apresentar um plano que demonstre como o município irá tratar as lacunas da educação (aulas de reforço, aulas no turno inverso...). E se o município está se preparando, orçamentariamente, para arcar com custos de uma vacinação em massa, se for necessário. E o próximo prefeito não pode esquecer de uma política social para auxiliar a população vulnerável, se os efeitos econômicos da pandemia não diminuírem.

Sendo que quase 1/3 desejam uma fusão entre temas municipais com temas nacionais, mas com um alerta sobre a forma do debate. E menos de 5% querem que as eleições municipais tratem de temas nacionais.

Do ponto de vista qualitativo, dentre os vários aprendizados, um raciocínio se destaca e chama a atenção para a expectativa do eleitor. Os eleitores “não querem que o debate da campanha eleitoral leve a cidade para Brasília. Querem que o debate traga Brasília para a cidade, quando for pertinente.”

Significa dizer que os eleitores esperam que os candidatos tragam temas nacionais para o debate municipal, quando esses influenciam na cidade, têm uma relação com a cidade ou irão impactar a população ou as empresas do município. Por exemplo, interessa “trazer Brasília para a cidade”, se houver um debate nacional sobre assistência social para famílias vulneráveis, crédito para empresas ou alteração dos tributos.

Não interessa “levar a cidade para Brasília”, para discutir se o Presidente deve ou não participar de campanhas eleitorais, se sabia ou não do caso Queiroz ou se deve ter uma política mais enérgica na condução das queimadas no Pantanal e na defesa da Amazônia. Esses temas não devem ser tratados pelas campanhas dos municípios.

Com a pandemia, a lista de demandas e problemas que o eleitor quer solução é grande. Cada candidato terá que ter capacidade de gestão e sensibilidade social para apresentar a melhor proposta.

 

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