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Elis Radmann
Elis Radmann

Cientista social e política. Fundou o Instituto Pesquisas de Opinião em 1996. Utilizando a ciência como vocação e formação, se tornou uma especialista em comportamento da sociedade. Socióloga (MTb 721), obteve o Bacharel em Ciências Sociais na UFPel e tem especialização em Ciência Política pela mesma universidade. Mestre em Ciência Política pela UFRGS e professora universitária, Elis é diretora e Conselheira da Associação Brasileira de Pesquisadores de Mercado, Opinião e Mídia (ASBPM) www.asbpm.org.br

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A educação política está nas mãos das mulheres!

**Os textos de colunistas aqui publicados são de sua total responsabilidade e não refletem a opinião do jornal O Alto Uruguai.

Publicado em: 22/09/2020

Meu filho de 9 anos aprendeu uma piada com os colegas e veio me contar. “Mãe, tinha uma nota de 100 reais no chão, estava o Papai Noel, o Coelhinho da Páscoa, um político honesto e uma pessoa normal. Quem pegou a nota de 100 reais?” Olhei para ele, atônita e disse: “a mamãe não sabe, você me pegou!” Ele respondeu prontamente: “mamãe, claro que foi a pessoa normal, pois os outros três não existem! Não existe Papai Noel, Coelhinho da Páscoa e o político honesto”. A piada rendeu um bom “bate papo” com meu filho, explicando para ele que cada uma das “figuras” da piada tem uma representação para a sociedade. Falei para ele que há muitos políticos que são honestos e quanto a política decide as nossas vidas. Que a política está presente na exigência do uso de máscaras, do cinto de segurança, na limpeza de nossas ruas e até mesmo nas regras das escolas. E fiquei com a certeza de que terei que ter tantos outros papos com ele sobre o assunto.

Como mulher e mãe refleti muito sobre a piada, a simbologia que ela trazia e sobre como uma simples piada pode ser um dos “tijolos” da construção de uma cultura política de negação da política!

As mulheres são mais da metade dos eleitores e são responsáveis pela educação da outra metade! Afinal de contas, a grande maioria dos homens é educado por sua mãe e tem uma professora como guia de seus primeiros passos na educação formal. Entretanto, as mulheres são governadas por homens. A maioria dos deputados são homens, a maioria dos senadores são homens, a maioria dos vereadores são homens. São homens que fazem leis que dizem o que as mulheres podem ou não fazer.

Ao fazer essa constatação fiquei com vontade de resgatar dados, de fazer análises de séries históricas e compreender o papel da mulher na educação política da sociedade. Via de regra a mulher tem mais anos de estudo do que os homens, passa mais tempo com as crianças e poderia recontextualizar, redesenhar, ressignificar a política. Poderia fazer política, poderia ocupar espaços de representação e ensinar para seus filhos que: se as pessoas são honestas, a política é honesta!

Essa jornada de reflexão me reportou à história política brasileira e, principalmente, à base de nossa cultura política. Analisando toda a saga das mulheres ao longo das últimas décadas democráticas, pode-se compreender que as mulheres não podem ensinar aquilo que não aprendem, e não podem contextualizar o que não tem significado positivo.

As mulheres não aprendem a importância de conversar sobre política, não são ensinadas a ter interesse por política. Logo, não ensinam seus filhos a gostarem de política. Infelizmente, o fenômeno é inverso: as mulheres se interessam menos por política do que os homens e são responsáveis por potencializar a negação com a política (que tem em sua base o ceticismo e o descrédito).

Vivemos em um ciclo vicioso. Como não aprendemos o papel da política, não ensinamos! E a percepção sobre a política vai se construindo a partir dos maus exemplos. Aprendemos com os políticos que não sabem administrar, com os políticos que não cumprem o que prometem, com os políticos que se preocupam apenas com os seus e com políticos corruptos.

Para salvar a política temos que aprender com a política que decide a nossa vida e ensinar aos nossos filhos que a política nasceu para melhorar a qualidade de vida de todas pessoas e não só dos políticos.

 

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