PUBLICIDADE
9 - coronavírus
Marcelo Blume
Marcelo Blume

Administrador, especialista em Marketing e mestre em Engenharia de Produção. Palestrante, pesquisador e escritor, com artigos e quatro livros publicados na área de gestão.

Sugestões, elogios e dúvidas: clique aqui para enviar um e-mail.

Quem é o concorrente?

**Os textos de colunistas aqui publicados são de sua total responsabilidade e não refletem a opinião do jornal O Alto Uruguai.

Publicado em: 02/09/2020

Em muitos segmentos, até pouco tempo a concorrência não incomodava muito, pois onde há equilíbrio na relação de oferta e demanda a sensação é de que há mercado para todos. Há, porém, aqueles que há tempos perdem o sono pensando no que faz a concorrência. O mais desejável, no entanto, é quando a concorrência gera um sentimento que não permite acomodação.

Com a quebra de muitos paradigmas nos negócios, vive-se um momento em que é bem mais difícil identificar claramente os concorrentes e quase impossível identificar de onde sairão os novos competidores. Até algum tempo, falava-se da concorrência como algo relativamente previsível, bastando monitorar alguns players que faziam algo parecido e então planejar e produzir vantagem sobre eles em algum atributo. Desde que eu pesquiso e escrevo, venho defendendo que a análise de concorrência não pode ser feita com base no sentimento/feeling de quem decide, pois deve ser baseada nos cálculos de quem disputa as fatias da renda do cliente-alvo.

Apesar dos muitos sinais, notícias, palestras, pesquisas, cursos, textos, vídeos... Muitas empresas vêm perdendo mercado, mesmo que aos poucos percebendo algumas perdas e atribuindo-as a fatores externos, como macroeconomia, política, clientes, fornecedores, sem analisar com precisão para quem estão perdendo a participação no mercado. Esta situação é mais frequente em negócios cujos gestores não se atualizam, ou não permitem que aqueles parceiros de mente mais aberta contribuam com o negócio. Este problema não se restringe a empresas pequenas, médias ou familiares, pois grandes empresas, marcas renomadas também perdem mercado ao ponto de desaparecerem, quando não conseguem identificar e acompanhar quem são todos os seus concorrentes.

Um exemplo bem conhecido é a Nokia, que vendeu a maior parte desde os primeiros modelos populares nos anos 1990 até 2007, quando havia se tornado um conglomerado gigantesco, com 65% do mercado e praticamente só considerava concorrente a Blackberry. A partir daquele ano, as fabricantes de computadores Apple e Samsung, que depois foram seguidas por outras, passaram a tirar uma fatia cada vez maior deste mercado que cresceu imensamente até os dias atuais. A Nokia não as considerava concorrentes, não percebeu que iriam tomar o seu gigantesco mercado, o que ocorreu muito rapidamente. Poderíamos citar um caso mais antigo e tão conhecido quanto, que é o da Kodak, que viu evaporar o seu consolidado mercado de filmes e máquinas fotográficas, mesmo tendo a primeira patente registrada de máquina fotográfica digital, quando os fabricantes de eletrônicos lançaram suas máquinas digitais e principalmente quando surgiram os smartphones. O que a Nokia, a Kodak e muitas que perderam seus mercados têm em comum com aquelas que estão perdendo o mercado atualmente é o fato de não terem se preparado para as outras possibilidades de concorrência. Eles estão perdendo mercado para players de outros setores, ou de quem era pequeno demais para ser considerado, e não para os concorrentes que estão acostumados a acompanhar e talvez culpam pelas dificuldades do setor.

Os canais de TV aberta e por assinatura rivalizavam entre si, mas têm hoje nos canais particulares do YouTube e streamings de filmes e séries, quem lhes toma a maior parte de seus mercados. Como já se considera normal o fato de os aplicativos de mobilidade ser os principais concorrentes dos táxis e ônibus urbanos, os aplicativos de hospedagem tomar parte do mercado de hotéis e imobiliárias, outros muitos setores de atividade estão vendo boa parte de seu mercado ser tomado por concorrentes não tradicionais e não que vinham acompanhando.

Quem é mesmo seu concorrente? É uma pergunta cada vez mais importante para os planos de se manter no mercado. Primeiro é preciso mudar significativamente o modelo mental das lideranças dos negócios, pois o conhecimento precisa ser renovado constantemente e os olhares ampliados e diversificados.

Um abraço e até a próxima!

COMENTÁRIOS

Os comentários no site não são moderados e são de inteira responsabilidade de seus autores. Utilize este espaço com elegância e responsabilidade. Ofensas pessoais e palavras de baixo calão serão excluídas.
PUBLICIDADE
13 - Dedetização Daniel
PUBLICIDADE
13 - Zooclínica