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Elis Radmann
Elis Radmann

Cientista social e política. Fundou o Instituto Pesquisas de Opinião em 1996. Utilizando a ciência como vocação e formação, se tornou uma especialista em comportamento da sociedade. Socióloga (MTb 721), obteve o Bacharel em Ciências Sociais na UFPel e tem especialização em Ciência Política pela mesma universidade. Mestre em Ciência Política pela UFRGS e professora universitária, Elis é diretora e Conselheira da Associação Brasileira de Pesquisadores de Mercado, Opinião e Mídia (ASBPM) www.asbpm.org.br

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Candidato: só prometa o que você pode cumprir!

**Os textos de colunistas aqui publicados são de sua total responsabilidade e não refletem a opinião do jornal O Alto Uruguai.

Publicado em: 01/09/2020

O título desse artigo reflete o clamor popular! A população está cansada de promessas vãs, de palavras vazias, de se sentir enganada.

As eleições ativam sentimentos dicotômicos na população, que se constituem em ciclos de esperança e frustração. O eleitor, cada vez mais cético e descrente com a política, deposita a sua esperança na pessoa de um candidato, vota “tentando” acreditar! Após o pleito, conforme as promessas não são cumpridas, começa a nova jornada de decepção, de frustração que vai consolidando a ideia de que os políticos são todos iguais, que prometem e não cumprem.

O eleitor consegue indicar um remédio, aparentemente simples, para essa lógica perversa: a criação de uma lei que obrigasse o candidato a cumprir o que prometeu. Os eleitores acreditam que esse ciclo vicioso não será quebrado, “pois os políticos não irão fazer uma lei que os prejudique!”

Na ausência de uma lei que estabeleça um compromisso entre a promessa e a realidade, muitos candidatos tentam convencer os eleitores oferecendo a sua palavra pessoal, a sua credibilidade, e alguns candidatos terceirizam essa responsabilidade para a sua equipe de marketing, esperando que os comerciais de TV consigam persuadir o eleitor a acreditar “no candidato dos sonhos.”

Cada vez que um gestor “não cumpre o que prometeu” e não dá explicação para os seus eleitores, acaba semeando mais desesperança e ampliando a percepção de que os políticos não prestam, ampliando a ojeriza e a negação com a política.

Com a pandemia, as frases das ruas são as seguintes: “o que era ruim ficou pior”, e “nem era para ter eleição nesse momento”. A esse contexto, soma-se um cenário de precarização dos serviços públicos. Há uma lentidão do sistema, que se amplia com o trabalho remoto e com os vários decretos restritivos. E a paciência e a tolerância do eleitor também está menor, haja visto que a precarização financeira e emocional está dentro de sua casa. O mesmo está tendo que administrar todos os novos dilemas oriundos desse “novo normal”.

Significa dizer que o eleitor está “arisco”, não quer saber de candidato que oferece o que não é possível ou o que não é necessário nesse momento de pandemia.

As pesquisas realizadas pelo IPO – Instituto Pesquisas de Opinião identificaram os principais anseios dos eleitores em relação às possíveis promessas os candidatos:

1) discurso sem politiquês = o eleitor não quer ouvir clichês, discurso tradicional. “Se eu for eleito vou fazer mais um posto de saúde”, “se eu for eleito vou acabar com as filas nos postos”. O eleitor quer um candidato que entenda o seu dilema, saiba os problemas da cidade e saiba como resolver.

2) não quer propostas que resultem em perdas = o eleitor fica muito decepcionado quando percebe que levou uma “rasteira”, que o político deu uma “volta” para chegar no mesmo lugar. Nas últimas eleições alguns candidatos começaram a fazer promessas que exigiram a retirada de conquistas da população. Os eleitores não querem um candidato que diga que irá ampliar o atendimento de um posto de saúde e depois, sem verba, fecha um posto de saúde de outro bairro para cumprir a sua promessa.

A expectativa dos eleitores é por planos de governo factíveis na atual realidade e candidatos que sejam sinceros com o que podem ou não fazer!

 

 

 

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