PUBLICIDADE
9 - coronavírus
Marcelo Blume
Marcelo Blume

Administrador, especialista em Marketing e mestre em Engenharia de Produção. Palestrante, pesquisador e escritor, com artigos e quatro livros publicados na área de gestão.

Sugestões, elogios e dúvidas: clique aqui para enviar um e-mail.

O desafio da requalificação

**Os textos de colunistas aqui publicados são de sua total responsabilidade e não refletem a opinião do jornal O Alto Uruguai.

Publicado em: 28/08/2020

As crises aceleram tendências, e este é um conceito que já repetimos aqui e é fruto de pesquisas sobre os resultados das crises de saúde, econômicas, políticas, que ocorreram em vários lugares e em outros tempos. A crise da pandemia dispensa dizer, gera a necessidade de reorganização em muitos setores. O emprego, o trabalho e a renda das pessoas estão entre as principais preocupações do momento, por terem sido mais fortemente afetadas. Um dos maiores desafios a serem superados no que tange a trabalho e emprego é a qualificação das pessoas.

Neste momento, quem tem e quer manter um empreendimento, independentemente do porte, está concentrado em reorganizar o negócio, considerando as oportunidades e as ameaças que o futuro próximo pode apresentar. Uma das questões cruciais para mudanças e melhorias em qualquer organização são as pessoas, não tanto em número, como principalmente em termos de qualificação e requalificação de quem está e deve ingressar na equipe. O Sine e demais serviços que oferecem vagas de estágios e empregos retomaram com força a oferta de vagas e há muitas que ficam abertas por tempo sem preenchimento.

Há quem diga que estamos vivendo o momento de maior mudança da história. Se é verdade não sabemos, pois só vivemos neste tempo, mas o fato é que estamos vivendo transformações mais rápido do que conseguimos acompanhar. Sobre as mudanças no mundo do trabalho e emprego, Maurício Benvenutti, empresário e autor de “Incansáveis” e “Audaz” diz que “os avanços tecnológicos afetam não só carreiras, negócios e governos, mas o próprio sentido da humanidade”. E pergunta: “O que acontecerá com motoristas quando os carros forem autônomos?...advogados... médicos... cozinheiros...” e com todas as profissões em que boa parte de suas atividades são repetitivas e podem ser realizadas por robôs ou softwares nos próximos anos. “As necessidades da era industrial empacotaram o trabalho em empregos padronizados, previsíveis e em tempo integral, que atenderam perfeitamente as exigências da época. No entanto, apesar dos requisitos profissionais terem evoluído, muitas empresas ainda mantêm a mentalidade inflexível do passado. Em geral, definem cargos baseados em tarefas e remunerações equivalentes às horas trabalhadas nessas tarefas. Essas escolhas geram dois efeitos colaterais. Primeiro, as atividades previsíveis estão sendo rapidamente substituídas pela tecnologia, pois sistemas de tarefa única são simples de construir. E segundo, milhões de trabalhadores passaram a ter profissões repetitivas. Atuam mais como máquinas do que como humanos. Infelizmente, essas ocupações também se tornarão obsoletas em breve”.

Muitos sinais puderam ser percebidos há um bom tempo, assim como estudos sobre tendências de trabalho e emprego, e sobre estes Benvenutti alerta que “...temos no mundo massas de pessoas qualificadas para uma realidade que já acabou. Para um mundo que não existe mais. Enquanto há cerca de 12 milhões de desempregados no Brasil, sobram vagas no Sine, nos mutirões de emprego e em quase todos os setores da economia. Nos EUA, há sete milhões de postos de trabalho que não conseguem ser preenchidos”.

Precisamos agir coletiva e colaborativamente, e em muitas frentes com ações mais assertivas, e numa escala bem maior do que as tentativas anteriores, em favor da requalificação das pessoas para o trabalho. Muitas empresas precisando de gente qualificada em atividades que elas têm demandas a serem atendidas e resolvidas, enquanto muitas pessoas seguem sem emprego e/ou sem trabalho, estando qualificadas para atividades cuja demanda está reduzindo. É uma situação inaceitável enquanto sociedade!

A requalificação ou qualificação constante nas competências necessárias ao mundo do trabalho é uma das ações sociais mais importantes que famílias, empresas, entidades ou setor público poderão realizar. É um desafio gigante, que não pode ser deixado para os governos, independente da esfera, e que precisa de uma conscientização de todos ao nosso redor. Precisamos sair da inércia!

Um abraço e até a próxima!

 

COMENTÁRIOS

Os comentários no site não são moderados e são de inteira responsabilidade de seus autores. Utilize este espaço com elegância e responsabilidade. Ofensas pessoais e palavras de baixo calão serão excluídas.
PUBLICIDADE
13 - Zooclínica
PUBLICIDADE
13 - Dedetização Daniel