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Marcelo Blume
Marcelo Blume

Administrador, especialista em Marketing e mestre em Engenharia de Produção. Palestrante, pesquisador e escritor, com artigos e quatro livros publicados na área de gestão.

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Falta liderança e sobra polarização

**Os textos de colunistas aqui publicados são de sua total responsabilidade e não refletem a opinião do jornal O Alto Uruguai.

Publicado em: 29/07/2020

Se tivéssemos feito diferente, não saberíamos o resultado, obviamente, mas é certo que somente atitudes diferentes trazem resultados diferentes. Na pandemia, que já alcança cinco meses no Brasil, fica difícil identificar se os resultados ruins foram causados pelo vírus ou pela falta de lideranças no enfrentamento das dificuldades.

As crises normalmente aceleram tendências que já haviam aparecido antes. A polarização ideológica do país, presente em vários momentos da história, foi acirrada a níveis nunca vistos, sob os pretextos da pandemia da Covid-19. Salvar vidas de doenças físicas e mentais, da fome, do desalento, exige tomada de decisões rápidas e assertivas, considerando que as consequências de fazer ou não fazer impactam significativamente o futuro, porém, muitas vezes, o mais importante ficou em segundo plano para priorizar a disputa.

Conforme analisa Igor Blume, em sua recente publicação (https://conectadireito.blogspot.com/2020/07/o-governo-na-pandemia), onde diz que “disputa” e “polarização” política em níveis adequados podem ser salutares ao país, pois o embate é o cerne da democracia, oportunizando decisões melhor avaliadas, justas e fundamentadas. A publicação ainda questiona: (...) uma maneira de buscar soluções é analisar o que os países com os melhores resultados fizeram, contudo, a polarização dificulta o entendimento do que é um bom resultado: Baixo índice de óbitos? Poucos infectados? Menos impactos econômicos? Poucas falências de empresas? Baixo desemprego? Combinação de índices que relacionem saúde, segurança alimentar e economia?

Precisamos que mais pessoas discutam temas relevantes à vida, à saúde, aos negócios, à economia, e menos consumo dos embates políticos que inflam os índices de audiências da grande mídia. Se queremos e precisamos de líderes melhores, são necessários cidadãos melhores em aspectos que vão desde o melhor discernimento do que está ocorrendo, até o entendimento sobre a corrupção endêmica.

Creio que se pudéssemos escolher e houvesse uma opção que combinasse o menor número de óbitos com o mínimo impacto socioeconômico, este poderia ser o melhor caminho. Todavia, parece cada vez mais distante a possibilidade de análise de alternativas, uma vez que polarização ideológica aferra posições de tantas pessoas, que a sociedade vai ficando sem saídas. Ou seja, mesmo que não fosse tão difícil encontrar uma combinação de ações para minimizar os impactos negativos, tanto para biossegurança, quanto para a economia, a resistência em admitir pontos diferentes das convicções de cada grupo impede qualquer avanço.

Os estudos publicados pela Universidade de Oxford (https://ourworldindata.org/policy-responses-covid), que analisa os resultados de políticas públicas no combate aos efeitos da pandemia ao redor do mundo apontam que “o Brasil, em regra, manteve um rigor elevado nas medidas governamentais de combate à Covid-19 em relação aos demais países”, podendo ter resultados melhores se tivesse feito testagens em massa para monitorar os casos em todo o país. A pesquisa mostra, ainda, que o Brasil é o 11º em número proporcional de mortes e 20º no número de casos em relação aos habitantes.

Tem-se visto muitos apontamentos de erros uns dos outros, e pouco ou nada de valorização dos acertos, a fim de salvarmos mais vidas e negócios, bem como evitarmos mais doenças e falências. Que a população tem memória curta já sabemos, mas é fácil localizar nos buscadores da internet notícias do mês de março de 2020, onde líderes políticos e epidemiologias alertavam que era inevitável o contágio da maioria da população, mas que poderíamos e precisávamos evitar uma curva com crescimento exponencial de casos graves necessitando de leitos de UTI, porque o país tinha historicamente uma falta de leitos. A expressão mais presente daquele período foi “necessidade de achatamento da curva”, porém, cinco meses de distanciamento social, tendo um claro e evidente achatamento da curva, seguimos ouvindo acusações de todos os tipos e lados, trocas de farpas entre lideranças eleitas, confusões, mau uso do dinheiro público, enquanto ao meu ver, deveríamos ouvir agradecimentos por terem seguido as orientações e parabenizado pelos resultados, diante dos sacrifícios da população que mudou de hábitos, perdeu empregos, renda, produção, empreendimentos.

Sobram antagonismo, polarização, disputas ideológicas, e faltam lideranças confiáveis com atitudes capazes de mostrar caminhos que promovam a proteção da saúde física, mental, emocional e econômica. As crises são momentos em que as posturas das lideranças são mais importantes e necessárias.

Um abraço e até a próxima!

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