Lírio Zanchet
Lírio Zanchet

Professor aposentado e empresário.

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“Filhos, não abandoneis vossos pais...”

Tentarei transportar estas advertências religiosas para o campo econômico. Não tenham pressa em sair da roça e vir para a cidade

Publicado em: 13/01/2020

Não me refiro às passagens bíblicas que advertem os filhos sobre os cuidados com que cercarão seus pais na velhice, completadas com o alerta: “Assim como os tratardes, sereis tratados”. Tentarei transportar estas advertências religiosas para o campo econômico. Não tenham pressa em sair da roça e vir para a cidade. Nosso jornalista Jaime Folle escrevia que as pequenas comunidades do interior logo terão supremacia sobre as metrópoles porque é nelas que se constrói a riqueza. É no Interior que floresce o agronegócio. É na agricultura que brotam os alimentos. O mundo sobreviverá sem automóveis e computadores, mas não sobreviverá sem comida.

Há tempos que se constata o êxodo rural, pelas agruras da vida do campo, pela pouca perspectiva de enriquecimento e pela atração que a cidade oferece. Só que este ciclo está mudando. Óbvio que as exigências na roça são mais ásperas. Mas não se iludam que “o dinheiro dá em árvores”. Desde o início da Humanidade, quando nossos antepassados botaram tudo a perder, “o homem deverá comer o pão com o suor do rosto”. O agricultor deverá seguir as bússolas que o orientarão para o norte lucrativo.

Muitas famílias cultivam parreiras. De repente, vem o granizo e despedaça os cachos de uva. O que fez um cidadão do interior, não sei se era de Rodeio Bonito, Alpestre ou Planalto? Investiu no seu negócio: cobriu mais de um hectare com lonas, protegendo todo o parreiral. E fez mais: defendeu o parreiral com tela, impedindo a visita das abelhas e passarinhos. Resultado: safra garantida.

Outro agricultor, que se sustenta apenas com alface e radicha, apelou para a cultura hidropônica. Se chove demais ou de menos, se falta ou sobra sol, sua produção não sofre percalços. Também cobriu sua lavoura para evitar os infortúnios dos temporais, granizos e estiagens.

Está se consolidando na região a bacia leiteira. Contudo, faz-se mister que o agricultor invista: vacas de qualidade que produzam leite dentro do exigido. Pastagem apropriada e que deve ser preservada com silagem técnica para fazer frente à carestia do inverno e para baratear o custo da ração. O milho não é para ser comercializado e sim transformado em ração, pois o lucro aparecerá no leite. Ordenhadeiras automáticas que facilitam o manejo. O leite está se constituindo em fonte de renda. Agora a Cotrifred se aparelhou para industrializá-lo.

Nem preciso falar da suinocultura, avicultura, gado de corte, fruticultura e até apicultura. Na cidade lamentam que a carne subiu. Se a carne ou qualquer produto agrícola tem seu preço majorado, graças a Deus, porque então o agricultor ganha, e continuará no campo. Porém, a ordem é investir em um setor e abandonar outras culturas. O agricultor não pode cuidar de soja, de porco, de fumo, de vaca ao mesmo tempo. Tem de priorizar. E para se definir a família deverá ser consultada. Muitos filhos desanimam da profissão paterna, porque os pais vivem se queixando. Então os filhos concluem que aquela atividade só os fará sofrer. Entendo se algum agricultor não concordar comigo. Tem razão o colono que desabafa: “Não venha dar conselhos, quem nunca pegou no cabo da enxada”.

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